Dia Mundial da AIDS 2021. Mensagem de Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS

Olá, amigos e amigas, saudações neste Dia Mundial da AIDS e minha solidariedade para todas as pessoas enquanto enfrentamos o impacto de duas pandemias que colidem.

Este ano, o mundo aprovou um plano ousado que, se as lideranças mundiais cumprirem, acabará com a AIDS até 2030. Isso é muito emocionante. Mas hoje, nós, como Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, trazemos um aviso urgente de que a AIDS continua sendo uma pandemia. O alerta está ligado e só podemos superar esse momento se acabarmos com as desigualdades que impulsionam as pandemias.

Em locais onde as lideranças estão agindo corajosamente e juntas, reunindo ciência de ponta, entregando serviços que atendam a todas as necessidades das pessoas, protegendo os direitos humanos e sustentando um financiamento adequado, mortes por AIDS e novas infecções por HIV estão se tornando raras.

Esta é a realidade em alguns lugares e para algumas pessoas. Nossos dados mostram que, se continuamos no ritmo atual, teremos 12 milhões de mortes extras do que se cumprimos a estratégia ousada em sua totalidade. Mais 12 milhões de mortes nos próximos 10 anos!

Mensagem de Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.

E, sem a abordagem da luta contra a desigualdade que precisamos para acabar com a AIDS, o mundo também estaria lutando para acabar com a pandemia da COVID-19 e permaneceria despreparado para as pandemias do futuro. Isso seria profundamente perigoso para todas e todos nós.

O avanço na resposta à AIDS, que já estava fora das prioridades antes da COVID-19, está agora sob um risco ainda maior, na medida em a crise da COVID-19 continua pressionando os serviços de prevenção e tratamento do HIV, interrompendo o acesso à educação e programas de prevenção da violência e muito mais.

Na trajetória atual, não estamos diminuindo os números com rapidez suficiente e corremos o risco de uma pandemia de AIDS que ainda durará décadas. Temos que nos mover mais rapidamente a partir um conjunto de ações acordadas pelos Estados-Membros das Nações Unidas para enfrentar as desigualdades que estão impulsionando o HIV. Na resposta dada à pandemia de AIDS, temos aprendido muito sobre o que precisamos fazer para acabar com a AIDS e o que precisamos fazer, também, para acabar com todas as pandemias.

Precisamos urgentemente de infraestrutura liderada e baseada na comunidade como parte de um forte sistema de saúde pública, sustentado por uma forte responsabilidade da sociedade civil. Este é um pré-requisito. Precisamos de políticas para garantir um acesso justo e acessível à ciência. Toda nova tecnologia deve chegar sem demora a todas as pessoas que precisam dela. Precisamos proteger profissionais da saúde e expandir seu número para atender às nossas necessidades urgentes de saúde.

Devemos proteger os direitos humanos e construir confiança nos sistemas de saúde e em todos os sistemas públicos. São estas ações que garantirão que fecharemos as lacunas de desigualdade e acabaremos com a AIDS. Mas, muitas vezes, essas ações acontecem de forma desigual e são subfinanciadas e subvalorizadas.

Eu parabenizo as comunidades que estão na linha de frente pelo seu pioneirismo nas abordagens mostradas como mais eficazes, por terem impulsionado a necessidade de mudança e por estarem incentivando nossas lideranças a serem ousadas. Peço a vocês, ativistas e comunidades: continuem pressionando.

Lideranças mundiais, vamos trabalhar de forma conjunta com urgência para enfrentar estes desafios. Peço a vocês: tenham coragem em fazer com que seus atos correspondam com suas palavras. Não há uma escolha a ser feita entre acabar com a atual pandemia de AIDS e se preparar para as pandemias de amanhã. A única abordagem bem-sucedida é alcançar as duas coisas. Neste momento não estamos no caminho certo para alcançar nenhum dos resultados.

Se tomarmos em consideração as desigualdades que limitam o progresso, poderemos cumprir a promessa de acabar com a AIDS até 2030. Está em nossas mãos. A cada minuto que passa, perdemos uma vida preciosa para a AIDS. Não podemos aceitar essa situação. Não temos tempo. Vamos combater as desigualdades. Vamos acabar com a AIDS. Vamos prevenir todas as pandemias futuras.

Winnie Byanyima
Diretora Executiva do UNAIDS
Subsecretária-Geral das Nações Unidas