Dia de Zero Discriminação

Lançada mundialmente em 2013, e celebrado sempre em 1o de março, a iniciativa Zero Discriminação celebra o direito das pessoas a uma vida plena e produtiva com dignidade – não importando sua origem, orientação sexual, identidade de gênero, sorologia para o HIV ou raça e etnia.

A borboleta , símbolo de um processo de transformação, representa o compromisso em assumir um comportamento aberto à diversidade e à tolerância. Liderada por Aung San Suu Kyi, porta-voz do UNAIDS para a Zero Discriminação e vencedora do prêmio Nobel da Paz, a iniciativa consagrou o 1º de março como Dia de Zero Discriminação.

Dia de Zero Discriminação 2026

Em 2026, o UNAIDS lança visibilidade sobre a discriminação enfrentada por pessoas mais expostas ao HIV e as que vivem com HIV, uma discriminação que compromete o acesso aos serviços de saúde, viola direitos e atrasa o progresso rumo ao fim da AIDS até 2030. O Dia de Zero Discriminação deste ano destaca a necessidade de colocar as pessoas em primeiro lugar. 

As evidências são nítidas: o estigma e a discriminação relacionados ao HIV colocam vidas em risco. Com base em dados de mais de 30 mil pessoas vivendo com HIV em 25 países, o estigma e a discriminação continuam sendo barreiras generalizadas ao acesso à saúde, à dignidade e aos direitos humanos. 

Globalmente, de acordo com o Relatório Global do Índice de Estigma das Pessoas Vivendo com HIV 2.0, quase uma em cada quatro pessoas relata ter sido estigmatizada por outras, inclusive em serviços de saúde, onde a discriminação compromete a confiança e o acesso a serviços que salvam vidas.  

Além disso, 85% das pessoas vivendo com HIV relatam sentir estigma internalizado, e muitas mudam seu comportamento — escondendo seu status sorológico ou interrompendo o tratamento — por medo de rejeição e julgamento. Esses achados confirmam que o estigma relacionado ao HIV não é uma questão secundária; é uma barreira para acabar com a AIDS até 2030. 

Números globais que reforçam a realidade
  • 1 em cada 4 pessoas enfrentou discriminação ao buscar serviços de saúde não relacionados ao HIV: estabelecimentos de saúde — espaços que deveriam prover cuidado — tornam-se fontes de medo e rejeição.
  • 24% vivenciaram discriminação na comunidade no último ano: assédio verbal e exclusão de atividades familiares e comunitárias continuam sendo comuns. 
  • 38% sentem vergonha de viver com HIV: o estigma internalizado mantém as pessoas isoladas e impede que busquem o apoio de que precisam.
  • 85% alguma forma de estigma internalizado: desde esconder o status sorológico até sentimentos de desvalorização, o peso psicológico é imenso.

No Brasil, dados publicados no Índice de Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV, lançado em 2025, revelam que a discriminação também persiste na sociedade brasileira. Algumas dessas barreiras discriminatórias são: 

  1. Discriminação ao longo da vida
  • 52,9% das pessoas entrevistadas em sete capitais do Brasil relataram ter sofrido ao menos uma forma de discriminação apenas por viver com HIV. Em outras palavras, 1 em cada 2 pessoas já enfrentou estigma diretamente relacionado ao seu diagnóstico. 
  1. Comentários, fofocas e exclusão social 
  • 38,8% sofreram comentários discriminatórios e fofocas fora do círculo familiar;
  • 34,8% relataram esse tipo de violência dentro da própria família — inclusive em unidades de saúde;
  • 22,3% afirmaram ter sido excluídas de interações sociais, familiares ou religiosas.
  1. Impactos na saúde mental 
  • 68,4% apresentaram sintomas de depressão e/ou ansiedade em algum grau — o equivalente a mais de 2 em cada 3 pessoas. 
  • Entre elas, 41,2% relataram sintomas de ansiedade e 29,1%, de depressão, evidenciando o forte impacto do estigma na saúde mental.
  1. Tratamento e qualidade do cuidado 
  • 89,6% recebem tratamento pelo sistema público de saúde. Nesse contexto, garantir acolhimento qualificado e livre de discriminação nos serviços é determinante para a continuidade do cuidado e para o fortalecimento da resposta ao HIV no Brasil.

Fonte: Índice Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV | Brasil, 2025

Esses dados reforçam que, no Brasil, o estigma e a discriminação continuam a afetar não apenas o acesso a direitos, mas também as áreas emocionais, a vida comunitária e a permanência no tratamento. 

Para mulheres e meninas que vivem com e são afetadas pelo HIV, as desigualdades de gênero se somam ao estigma e à discriminação relacionados ao HIV. A coerção reprodutiva, os maus-tratos e os abusos são manifestações persistentes e generalizadas de estigma e discriminação ao longo de toda a prestação de serviços de saúde. 

Uma análise de dados coletados de 26.502 mulheres vivendo com HIV em 23 países, que recentemente concluíram o Índice de Estigma 2.0, revelou que, em todos os países analisados, mulheres vivendo com HIV relataram terem sido forçadas a fazer alguma atividade que não queriam nos últimos 12 meses. O estigma e a discriminação interseccionais também impactam sua experiência com outros serviços, bem como a vida comunitária e doméstica, além do acesso à justiça e à reparação.  

Além disso, o estigma e a discriminação relacionados ao HIV se combinam com normas e desigualdades de gênero para impor às mulheres e meninas uma pesada carga de cuidados não reconhecidos e não remunerados. 

A discriminação continua à medida que: 

  • Impedem que pessoas façam o teste de HIV;
  • Impedem que pessoas busquem serviços de prevenção do HIV, incluindo medicamentos para prevenir a infecção;
  • Impedem que pessoas tenham acesso ao tratamento; 
  • Afastam pessoas dos serviços de saúde;
  • Negam direitos humanos fundamentais;
  • Contribuem para o aumento da epidemia de AIDS.

À medida que o mundo trabalha para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, não teremos sucesso se a discriminação continuar sendo um obstáculo. 

O Dia de Zero Discriminação destaca como nós, em conjunto, podemos nos informar e promover inclusão, compaixão, paz e, acima de tudo, um movimento por mudança. 

O que precisa mudar
  1. Acabar com leis discriminatórias 

Os países devem revisar suas políticas e legislações e eliminar aquelas que discriminam, criminalizam e prejudicam pessoas que vivem com HIV e aquelas em risco de infecção — incluindo leis que criminalizam o trabalho sexual, o uso de drogas, relações entre pessoas do mesmo sexo e a não divulgação do status sorológico — e que impedem o acesso aos serviços de saúde. 

  1. Proteger o direito ao acesso à saúde 
  • Garantir confidencialidade;
  • Assegurar fortalecimento técnico para profissionais de saúde e implementar políticas de tolerância zero à discriminação;
  • Acabar com a testagem obrigatória de HIV; 
  • Oferecer cuidado de qualidade, com respeito e compaixão para todas as pessoas.
  1. Enfrentar o estigma nas comunidades 
  • Combater mitos e desinformação sobre HIV; 
  • Promover o conceito de I=I (Indetectável = Intransmissível); 
  • Apoiar educação e conscientização comunitária;
  • Fortalecer empatia e compreensão.
  1. Apoiar respostas lideradas pela comunidade 

Em 1 de março de 2026, o UNAIDS conclama governos, profissionais de saúde, organizações empregadoras, e comunidades a ouvirem as vozes das pessoas que vivem com e são afetadas pelo HIV e a agir com base em evidências, para que ninguém se sinta diminuído por causa de seu status sorológico; e para que os sistemas de saúde se tornem espaços onde as pessoas possam buscar testagem, tratamento e cuidado sem discriminação.

No Dia Zero Discriminação 2026, o UNAIDS convida todas as pessoas a: 

Sustentar os avanços: proteger e ampliar o que funciona, garantindo financiamento para [tratamento e prevenção ao] HIV e direitos humanos; institucionalizando práticas livres de estigma nos sistemas de saúde, na educação e nos locais de trabalho; reformando e revogando leis e políticas discriminatórias; e defendendo a liderança comunitária, as proteções legais e os avanços do conceito de I=I já conquistados. 

Estar ao lado das comunidades: apoiar, financiar e estabelecer parcerias com organizações lideradas pela comunidade que conduzem ações de advocacy e oferecem serviços confiáveis e livres de estigma. 

Compartilhar os fatos: usar redes sociais, ambientes de trabalho e escolas para difundir a mensagem de que o HIV é um assunto de saúde, não moral, e que pessoas vivendo com HIV podem ter vidas longas, saudáveis e dignas. 

Clique na imagem abaixo e veja as imagens da campanha Zero Discriminação 2026.