Fundo Solidário apoia pessoas trans durante a pandemia de COVID-19

Enquanto a pandemia de COVID-19 permanece, as contínuas crises globais de saúde e as consequências econômicas resultantes das medidas impostas para conter a COVID-19 destacaram as vastas e crescentes desigualdades que ameaçam a subsistência das pessoa mais vulneráveis.

Essa situação tem acontecido especialmente para as pessoas trans em todo o mundo, que suportaram desproporcionalmente as dificuldades socioeconômicas da pandemia. Falando sobre a comunidade trans na Índia, a ativista trans Laxmi Narayan Tripathi disse: “As pessoas não tinham dinheiro para pagar aluguel. Nem mesmo para comprar arroz. As pessoas podem morrer de COVID-19, mas podem morrer de fome ainda mais cedo.”

O Kineer Services, uma iniciativa criada pela ativista trans Laxmi Narayan Tripathi com foco na criação de empregos para a comunidade trans na Índia, organizou e criou uma plataforma para fornecer alimentos à comunidade trans em vários estados da Índia, a fim de enfrentar as dificuldades imediatas das pessoas.

Os Serviços Kineer, uma iniciativa criada por Tripathi com foco na criação de empregos para a comunidade trans na Índia, tem como objetivo organizar e criar uma plataforma para fornecer alimentos para a comunidade trans em vários estados da Índia, a fim de enfrentar as dificuldades imediatas das pessoas. O apoio sustentável, entretanto, é um desafio. “O que seria melhor do que capacitarmos nosso próprio povo, as pessoas que vivem à margem da sociedade, a se tornarem empreendedores?”, acrescentou Tripathi.

Ao reconhecer que o acesso ao financiamento é um fator crítico para apoiar as populações vulneráveis para a sobrevivência durante a crise e do impacto do lockdown, o UNAIDS e parceiros lançaram o Solidarity Fund for Key Population Social Entrepreneurship (Fundo Solidário para Empreendedorismo Social para Populações-Chave, na tradução livre para o português) e apoiarão oito propostas de empreendimentos sociais liderados pela comunidade trans em sua fase piloto. O piloto está acontecendo no Brasil, Gana, Índia, Madagascar e Uganda. O Fundo Solidário, que terá o resultado lançado no início de abril, financiará uma série de subsídios para empreendimentos sociais selecionados liderados por populações-chave.

“O Solidarity Fund é um pequeno passo para enfrentar as desigualdades econômicas enfrentadas pelas comunidades trans. Precisamos construir e apoiar pessoas empreendedoras da comunidade trans para enfrentar a extrema discriminação e vulnerabilidade que a comunidade enfrenta”, disse Pradeep Kakkattil, diretor de inovações do UNAIDS.

A variedade de iniciativas sociais recebidas da comunidade trans através da primeira chamada de propostas do Solidarity Fund é uma prova do talento das organizações lideradas pela comunidade diante das dificuldades. Em Uganda, a Tranz Network Uganda estabeleceu o programa piloto TREE (Transgender Resilience and Economic Empowerment) a fim de contribuir para a transformação econômica das pessoas trans em Uganda. O projeto TREE construirá o capital social e a resiliência das pessoas trans em Uganda através da formação de grupos de poupança, da promoção da inclusão financeira, do empreendedorismo, do desenvolvimento de habilidades vocacionais e de vínculos com outras atividades de empoderamento econômico social.

Os projetos selecionados para a fase piloto do Solidarity Fund mostraram como as organizações e redes da sociedade civil estão desempenhando um papel fundamental no fornecimento de redes de segurança social para as comunidades vulneráveis e populações trans durante a pandemia.

Em Gana, a Hope Alliance Foundation (HAF) e a Iniciativa OHF vêm trabalhando juntos nos últimos nove anos na implementação de numerosos programas relacionados ao HIV que incluem apoio de emergência, cuidados domiciliares, capacitação e apoio de pares. Com a pandemia e os lockdowns, ainda há um a ter um forte impacto no mercado de trabalho ganense, particularmente para profissionais mais vulneráveis, a HAF e a Iniciativa OHF têm como objetivo enfrentar os desafios econômicos resultantes através de programas de capacitação e da implementação de atividades que geram renda. Através do Community Economic Empowerment Program (Programa de Empoderamento Econômico Comunitário, na tradução para o português) as duas organizações trabalharão com lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, pessoas intersexo e pessoas vivendo com HIV para promover treinamento de habilidades e técnicas para revitalizar as pequenas e médias empresas que foram afetadas pela crise econômica devido aos lockdowns elacionados à COVID-19.

Em Bihar, na Índia, Reshma Prasad vê uma oportunidade única para a comunidade trans, que desenvolveu habilidades únicas em dança, canto, arte e entretenimento dentro da cultura local e em todo o país. Através da Nachbaja, Prasad quer preencher a lacuna atual entre a comunidade trans e a mídia digital, fornecendo uma plataforma online na qual a população pode comercializar suas habilidades, permitir que as pessoas se conectem diretamente com os e as artistas. O objetivo é colaborar para que os e as artistas tenham uma oportunidade de apresentar preços justos e possam expor seus serviços de forma mais ampla. A Nachbaja.com já registrou mais de 1000 artistas para sua plataforma e tem como objetivo fazer crescer a plataforma para alcançar toda a Índia.

No Brasil, o Grupo De Trabalhos em Prevenção Posithvo (GTP+) tem apoiado pessoas vivendo com HIV, fornecendo-lhes segurança alimentar desde 2016 através do Projeto Cozinha Solidária. Percebendo uma grande e rápida queda na renda das pessoas beneficiadas no ano passado devido à pandemia e aos lockdowns no Brasil, o GTP+ viu uma oportunidade única de combinar seus conhecimentos em confeitaria e gastronomia com empreendimentos para as pessoas beneficiadas. Através da Confeitaria Escola/Cozinha Solidária, a organização terá como objetivo comercializar e aumentar suas operações através da criação de cestas de confeitos e alimentos para ocasiões comemorativas, ao mesmo tempo em que provará orientação de treinamento empresarial relevante para todos as pessoas.

“A gente criou a Confeitaria Solitária pensando em qualificar pessoas para que essas pessoas criassem outras agendas. A maior parte do nosso público é muito específico, por isso sempre tratamos as questões de HIV e AIDS, mas sempre transversalizando com outras questões, como travestilidade, transexualidade e pessoas saídas do cárcere”, diz Fernanda Falcão, coordenadora do GTP+.

“O UNICEF reconhece a importância fundamental da prevenção do HIV entre as populações-chave jovens se quisermos acabar com a epidemia de AIDS. Acreditamos que esse objetivo pode ser melhor alcançado se capacitarmos diretamente as comunidades”. O Solidarity Fund é um recurso único que fará exatamente isso”. Para as pessoas jovens, estes investimentos produzirão oportunidades para toda a vida”, disse Chewe Luo, diretor associado e chefe do Programa de HIV do UNICEF.

À medida que as comunidades trans se tornam cada vez mais marginalizadas, especialmente durante a pandemia de COVID-19 e as medidas de lockdown, o UNAIDS está empenhado em erradicar todas as formas de discriminação enfrentadas pelas comunidades trans e está ao lado delas para impulsionar a igualdade no local de trabalho.

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