
No último dia 18, foi concluída, em Brasília, a 57ª reunião da Junta de Coordenação do Programa (PCB). Em um momento de graves interrupções na resposta ao HIV em diversos países e no trabalho do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), o PCB adotou uma nova Estratégia Global contra a AIDS para 2026–2031, intitulada “Em União para Acabar com a AIDS”.
“A inação não é uma opção. Se pararmos e não alcançarmos as metas estabelecidas na Estratégia, até 2030, veremos cerca de 3,3 milhões de novas infecções. Não podemos permitir que isso aconteça”, afirmou Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.
Criação de Grupo de Trabalho para a transição do UNAIDS
Durante os três dias de reunião, os membros da Junta aprovaram a criação de um Grupo de Trabalho do PCB (GT). O objetivo é desenvolver um plano e um cronograma para a transição do UNAIDS e sua integração ao sistema das Nações Unidas.
O grupo garantirá o engajamento significativo de todas as partes relevantes. Entre elas estão a sociedade civil, governos, copatrocinadores e outras parcerias. A iniciativa está alinhada à Iniciativa ONU80.
“Uma de nossas principais tarefas, por meio da Estratégia Global para a AIDS, da transição do UNAIDS e da Iniciativa ONU80 de forma mais ampla, é compreender melhor como podemos incentivar, de maneira eficaz, o reengajamento da comunidade internacional”, disse Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral da ONU. “Vidas, dignidade e progressos arduamente conquistados ainda estão em jogo. O UNAIDS demonstrou o que a ação coletiva pode alcançar. Esse legado precisa ser protegido.”
Reconhecimento ao papel do UNAIDS na resposta ao HIV
Ao longo da reunião, organismos membros e observadores do PCB expressaram profundo reconhecimento pelo papel crítico que o UNAIDS desempenha na resposta ao HIV. Também destacaram o trabalho de sua equipe em diferentes contextos. Participantes falaram com convicção sobre o significado da dedicação para governos e comunidades em todo o mundo.
Compromisso do Brasil com a eliminação da AIDS
“O Brasil reafirmou, como prioridade central de governo, a eliminação das doenças socialmente determinadas, incluindo a epidemia de AIDS”, afirmou Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS). “Essa agenda está fundamentada no nosso Sistema Único de Saúde (SUS) — universal, integral e gratuito — que garante prevenção, diagnóstico e tratamento em um país de escala continental e profunda diversidade regional”, disse Simão.
Solidariedade global e participação da sociedade civil
“Não podemos retroceder depois de termos assumido um compromisso com as pessoas mais vulneráveis”, afirmou Erica Schouten, embaixadora do Reino dos Países Baixos junto às Nações Unidas. “Também não podemos nos afastar exatamente quando a resposta ao HIV precisa, mais do que nunca, de solidariedade global.”
Sentimento ecoado pela delegação de ONGs da América do Norte: “A inclusão das vozes das ONGs no UNAIDS não é simbólica; ela é fundamental para a força e a legitimidade do UNAIDS”, afirmou Shamin Mohamed Jr. “Um encerramento prematuro da coordenação e do apoio internacional representa um retrocesso. Se fizermos as coisas cedo demais, as vidas das pessoas também terminarão cedo demais.”
Copatrocinadores e próximos marcos globais
A Junta reconheceu que o PNUD, o UNFPA, o ACNUR, o UNICEF, o UNODC e a OMS atuarão como copatrocinadores líderes. Já a OIT, a UNESCO, a ONU Mulheres, o PMA e o Banco Mundial serão copatrocinadores afiliados.
A Estratégia Global e as metas para 2030 irão subsidiar a Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre AIDS. Também orientarão a Declaração Política sobre HIV/AIDS em 2026.
O UNAIDS agradeceu aos organismos e países doadores pelo apoio contínuo e pelas contribuições de 2025. Entre eles estão Austrália, Bélgica/Flandres, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Japão, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Mônaco, Espanha e Reino Unido.
Avanços com antirretrovirais de longa duração
A sessão temática da reunião sobre antirretrovirais injetáveis de longa duração, tanto para prevenção quanto para tratamento, demonstrou como esses medicamentos podem acelerar o progresso rumo ao fim da AIDS.
Com vontade política, financiamento adequado, liderança comunitária e parcerias estratégicas, essas tecnologias podem transformar a resposta ao HIV. Além disso, contribuem para reduzir desigualdades de acesso e diminuir drasticamente as novas infecções.
Próximas reuniões do PCB
A 57ª reunião do PCB foi presidida pelo Brasil. Para 2026, o Conselho elegeu os Países Baixos como presidência, as Filipinas como vice-presidência e o Quênia como relatoria.
O relatório da diretora executiva do UNAIDS à Junta, assim como os relatórios de cada item da agenda e as decisões do PCB, podem ser consultados aqui, em inglês.
A 58ª reunião do PCB ocorrerá em Genebra, de 30 de junho a 2 de julho de 2026.







