
Em 2025, o UNAIDS celebrou e participou de diversas ações com o governo brasileiro, agências fundos e programas das Nações Unidas e sociedade civil para relembrar os 40 anos da resposta brasileira à AIDS e celebrar os 25 anos de atuação do UNAIDS no Brasil.
Todas essas datas estão inseridas nas atividades relacionadas ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, celebrado mundialmente em 1º de dezembro. Esta data – que é mais que um momento simbólico, sobretudo no atual momento de redução de investimentos globais – trata-se de um momento estratégico para reafirmar compromissos, fortalecer alianças e dar visibilidade às pessoas e comunidades que constroem, diariamente, a resposta ao HIV.
Ao longo do mês de dezembro, o UNAIDS participou de atividades presenciais e virtuais que dialogaram com diferentes públicos. Essas ações conectaram memória, política pública, cultura, comunicação e, principalmente, com as comunidades no centro da resposta. Todas tiveram um objetivo comum: reafirmar que o fim da AIDS como problema de saúde pública é possível, mas isso só será possível desde que o acesso aos serviços de saúde chegue a todas as pessoas.
Desde o início da epidemia, o Brasil construiu uma resposta reconhecida internacionalmente. Essa história foi marcada pela defesa do acesso universal ao tratamento, pela participação ativa da sociedade civil e pela incorporação da resposta ao estigma como eixo central das políticas públicas.
O UNAIDS, no escopo das atividades da parceria com o Ministério da Saúde, participou de diversas oficinas e atividades que trataram da história do HIV no país. “Brasil e o SUS como referências internacionais na resposta à aids” foi um dos temas abordados na série de oficinas. Andrea Boccardi Vidarte, diretora e representante do UNAIDS no Brasil esteve na mesa de debates que contou, ainda, com nomes importantes na resposta nacional ao HIV como José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde; Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente/MS; Igor Barbosa, chefe da Divisão de Saúde Global/MRE; Marise Ribeiro, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais/MS; Luiza Lopes, Embaixadora, Diretora-Adjunta da Agência Brasileira de Cooperação; Brice Fodda, Ministro Conselheiro, Embaixada da França no Brasil; Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde e membra do Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias.

Oficina “Brasil e o SUS como referências internacionais na resposta à aids”. Foto: Zeca Miranda – SVSA/MS
Neste ano, o Brasil também celebrou que, pela primeira vez, foram registrados menos de 10 mil óbitos relacionados à AIDS.
Outro destaque das celebrações é a exposição “40 anos da história da resposta brasileira à aids ”, realizada em parceria com o Sesi Lab, em Brasília. A mostra – que está em disponível até o dia 30 de janeiro – integra o mês de conscientização e convidou o público a refletir sobre a história da epidemia, os avanços científicos e o papel fundamental do ativismo na resposta ao HIV no Brasil.
A exposição reúne conteúdos informativos, registros históricos e elementos visuais que conectam passado e presente. Ao percorrer a mostra, visitantes podem compreender como a resposta ao HIV evoluiu ao longo das décadas e como a ciência, aliada à mobilização social, transformou o curso da epidemia no Brasil.
Todas essas atividades são resultado da parceria entre Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sesi Lab, Museu da Pessoa, ONG Pela Vidda, UNAIDS e Ministério da Saúde.
O UNAIDS também esteve presente em uma sessão realizada na Câmara dos Deputados, dedicada ao debate sobre a resposta ao HIV no Brasil. A atividade, presidida pela deputada federal e coordenadora da Frente Parlamentar Mista de Enfrentamento às IST, HIV/AIDS e Hepatites Virais Erika Kokay, reforçou a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, que vá além do campo da saúde e incorpore educação, assistência social, direitos humanos, cultura e comunicação.
Além disso, o debate trouxe à tona a urgência de combater o estigma e a discriminação, que ainda afastam pessoas da testagem, da prevenção e do tratamento, inclusive os mais atuais como os medicamentos injetáveis de longa duração. O UNAIDS ressaltou que leis, políticas e discursos públicos têm impacto direto na vida das pessoas que vivem com HIV. Portanto, o compromisso do Legislativo é fundamental para garantir um ambiente mais justo, inclusivo e livre de preconceito.
O ator Cauã Reymond se uniu ao UNAIDS em uma parceria para ampliar a conscientização sobre estigma e à discriminação relacionadas às pessoas que vivem com HIV no Brasil. A mãe de Cauã viveu com HIV e ele compartilhou esse relato no programa “Lady Night”.
A iniciativa pretende alcançar especialmente jovens e comunidades mais vulneráveis, destacando que o HIV não deve ser motivo de exclusão, mas sim de solidariedade e engajamento coletivo.
O UNAIDS se uniu às seis redes de pessoas que vivem com HIV que fazem parte do GT UNAIDS – ANAIDS, RNP+, RNAJVHA, MNCP, RNTTHP e Coalizão + Brasil – para compartilhar as expectativas para o futuro da resposta à AIDS.
As vozes da sociedade civil seguem essenciais para garantir avanço, equidade e o compromisso coletivo com o fim da AIDS como ameaça à saúde pública. As lideranças e pessoas que vivem com HIV pedem a cura definitiva, para encerrar o ciclo de cansaço com medicamentos e pesquisas, e a garantia de qualidade de vida, para que as futuras gerações vivam sem estigma, discriminação e livre da AIDS.
O Brasil anunciou a eliminação da transmissão vertical do HIV – quando não há a infecção para a criança na hora do parto ou amamentação – como problema de saúde pública, . Esse marco foi possível graças a ampliação de testagem, ado acesso às terapias antirretrovirais via Sistema Único de Saúde (SUS) e à melhoria dos serviços de pré-natal, o que resultou em uma cobertura superior a 95% em testagem e tratamento de gestantes vivendo com HIV e em taxas de transmissão abaixo dos critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A certificação foi entregue ao presidente Lula pelo diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e contou com participação da diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, do médico Drauzio Varella e Renata, representante do MNCP.
O UNAIDS, em parceria com a TV Globo, lançou uma campanha nacional de comunicação voltada ao enfrentamento do estigma e da discriminação contra pessoas que vivem com HIV, no contexto do Dia Mundial de Luta contra a AIDS.
A iniciativa utilizou personagens emblemáticos da teledramaturgia brasileira para reforçar mensagens de respeito, dignidade e inclusão, alcançando milhões de pessoas por meio da veiculação em rede nacional e integrando uma cooperação estratégica de longa data entre o UNAIDS e a emissora.
A campanha – que foi veiculada entre os dias 01 e 20 de dezembro, alcançou cerca de 70 milhões de pessoas por dia – destaca que, apesar dos avanços científicos e da resposta brasileira ao HIV, o estigma ainda representa uma barreira significativa ao exercício pleno de direitos.
Ao longo de todas essas iniciativas, o UNAIDS reforçou mensagens-chave: a importância do acesso à prevenção combinada, do diagnóstico oportuno, do tratamento como prevenção e da resposta permanente para evitar o estigma e à discriminação. Além disso, destacou que a resposta ao HIV deve ser inclusiva, interseccional e baseada em direitos humanos.