
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a Gerência de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis (GEVIST) e Gerência de Saúde do Sistema Prisional (GESSP) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal promoveram, no último dia 16, no complexo da Polícia Civil do DF, de uma série de capacitações sobre PrEP voltadas a profissionais de saúde e agentes penitenciários.
A iniciativa é uma ação para a implementação do Manual de Ampliação do Acesso à Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) para Pessoas Privadas de Liberdade no DF. O objetivo é fortalecer a oferta da PrEP nas Unidades Básicas de Saúde Prisional (UBSPs) e ampliar o acesso a uma das estratégias mais eficazes de prevenção ao HIV disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
As capacitações reuniram profissionais de saúde e profissionais da segurança que atuam diretamente no sistema prisional. Durante os encontros, as pessoas participantes receberam orientações sobre os fluxos de implementação da PrEP, critérios de elegibilidade, acompanhamento clínico e organização dos serviços.
Além disso, a formação abordou temas relacionados aos direitos humanos, à diversidade e à resposta ao estigma e à discriminação. Esses aspectos são importantes para garantir que todas as pessoas tenham acesso aos serviços de saúde de forma digna e que profissionais que atuam no sistema prisional possam colaborar para a redução de barreiras estruturais.
“A ampliação da PrEP para o sistema prisional – algo que já tinha acontecido na atenção primária – vai trazer um grande benefício de acesso às pessoas privadas de liberdade a mais uma das estratégias de prevenção combinada ao HIV”, diz Beatriz Maciel, gerente da GVIST. “Nós esperamos que, com isso, toda essa população seja beneficiada e que haja uma diminuição de novos casos de HIV”, pontua.
Ao mesmo tempo, participantes discutiram estratégias para integrar as ações de prevenção do HIV ao rastreamento de outras condições de saúde, como tuberculose, sífilis e hepatites virais.
Pessoas privadas de liberdade enfrentam desafios específicos no acesso aos serviços de saúde. Dados do documento “HIV e pessoas em prisões e outros ambientes fechados” mostram que este grupo tem 7,2 vezes mais chances de viver com HIV do que pessoas adultas na população geral.
Ainda segundo o documento, o acesso aos serviços de prevenção, tratamento e cuidados com o HIV é frequentemente interrompido na admissão, transferência e liberação. Por isso, fortalecer o cuidado dentro das unidades prisionais é uma medida essencial para reduzir desigualdades e promover respostas mais efetivas ao HIV.
Nesse contexto, o UNAIDS e o UNODC contribuíram com debates sobre direitos humanos e inclusão. As atividades destacaram a importância de combater o estigma associado ao HIV e de garantir que a prevenção alcance todas as pessoas que dela necessitam. Além disso, foram discutidas formas de fortalecer a continuidade do cuidado. Essa abordagem é importante tanto durante o período de privação de liberdade quanto após o retorno ao convívio em comunidade.
O sistema prisional do Distrito Federal atende mais de 16 mil pessoas. Diante desse cenário, a ampliação do acesso à PrEP representa uma oportunidade para fortalecer a prevenção combinada e reduzir novas infecções pelo HIV.
As ações de ampliação de PrEP foram inicialmente desenvolvidas no Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI). Lançado em agosto de 2025, o GTI é uma parceria entre o UNAIDS, a OPAS e o GDF. Entre as atribuições do GTI estavam:
A capacitação reforça esse compromisso. Ao qualificar profissionais e alinhar fluxos de atendimento, a iniciativa contribui para que mais pessoas tenham acesso à prevenção, ao cuidado e à proteção de seus direitos. Dessa forma, o DF se torna pioneiro neste tipo de implementação, que pode ser replicado em outros estados do Brasil, contribuindo para o avanço da construção de uma resposta ao HIV mais inclusiva, equitativa e centrada nas pessoas.
“A junção de organismos públicos e internacionais para o fomento de políticas públicas de prevenção ao HIV reforça o compromisso do UNAIDS de não deixar ninguém para trás, e isso inclui as pessoas privadas de liberdade”, diz Gustavo Passos, oficial de Igualdade e Direitos do UNAIDS. “A melhor forma de incluir essas pessoas no acesso ao PrEP é treinando quem cuida da saúde e segurança delas”, finaliza.