
O UNAIDS recebe relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, publicado antes da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre HIV/AIDS, que ocorrerá em Nova York nos dias 22 e 23 de junho de 2026.
No relatório, António Guterres, secretário-geral da ONU, transmite uma forte mensagem: o mundo alcançou avanços históricos na resposta ao HIV, mas essas conquistas estão cada vez mais ameaçadas caso os governos não renovem urgentemente seu compromisso com a resposta global à AIDS.
“A resposta global ao HIV encontra-se em um momento crítico. O progresso é real e mensurável, mas está cada vez mais vulnerável a crises convergentes”, afirmou Guterres, citando a redução do financiamento externo, o aumento do endividamento dos países, as emergências humanitárias e os retrocessos nos direitos humanos.
Guterres destaca que, dos 40,8 milhões de pessoas vivendo com HIV em 2024, 31,6 milhões estavam em tratamento — o maior número já registrado. O relatório também aponta que as mortes relacionadas à AIDS caíram 54% desde 2010, alcançando o menor nível desde o início da década de 1990.
O documento mostra que os países da África Oriental e Austral — região que concentra a maioria das pessoas vivendo com HIV — lideraram os avanços globais. Em 2024, sete países da região alcançaram as metas globais 95-95-95 de testagem e tratamento.
“Essas conquistas são uma demonstração brilhante do progresso rumo ao fim da AIDS quando liderança política, ação comunitária e investimento sustentado atuam em conjunto”, afirmou Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.
No entanto, o relatório ressalta que o mundo está longe de atingir as metas para 2025 estabelecidas na Declaração Política sobre HIV/AIDS de 2021.
Alguns dados são:
O relatório destaca ainda que o progresso permanece desigual. As novas infecções por HIV aumentaram significativamente no Oriente Médio e Norte da África (94% desde 2010) e cresceram na América Latina – cerca de 13% –, bem como na Europa Oriental e Ásia Central.
O documento alerta para a necessidade de enfrentar as desigualdades estruturais que dificultam o acesso aos serviços de HIV, reduzir as lacunas de financiamento e acelerar a expansão sustentável dos serviços. Os registros de novas infecções por HIV entre meninas adolescentes e mulheres jovens na África Subsaariana continuam sendo infectadas cerca de três a quatro vezes superiores às pessoas do sexo masculino.
As populações-chave respondem por 74% das novas infecções fora da África Subsaariana. Guterres alerta que o financiamento externo para a saúde poderá sofrer redução de até 40%, o que põe em risco principalmente os serviços de prevenção ao HIV e as iniciativas lideradas pela comunidade.
Na África Ocidental e Central, 90% dos recursos destinados ao tratamento dependem de doadores externos. Já os programas de prevenção na África Subsaariana dependem de financiamento externo para cerca de 80% de seus recursos.
“Sem ações urgentes para suprir a lacuna de financiamento, milhões de vidas estarão em risco”, afirmou Winnie Byanyima. “Não podemos permitir que choques financeiros, ataques aos direitos humanos ou retrocessos políticos revertam décadas de progresso”, destaca.
O relatório também apresenta importantes oportunidades para acelerar os avanços. Ferramentas de prevenção de longa duração, incluindo medicamentos injetáveis para prevenção do HIV, estão se tornando mais acessíveis, com versões genéricas previstas para custar cerca de US$ 40 (R$ 207) por pessoa anualmente. No entanto, a implementação dessas tecnologias ainda avança lentamente.
As organizações lideradas pela comunidade, cuja eficácia na ampliação da testagem, adesão ao tratamento e supressão viral já foi comprovada, devem ser protegidas, financiadas e integradas aos planos nacionais de resposta. Além disso, novos roteiros nacionais de sustentabilidade desenvolvidos em parceria com o UNAIDS em mais de 30 países estão fortalecendo a apropriação nacional das respostas ao HIV.
O secretário-geral da ONU convoca os Estados-Membros a aprovarem novas e metas globais ambiciosas para 2030 na Declaração Política sobre HIV/AIDS que será adotada durante a próxima Reunião de Alto Nível.
As metas darão continuidade aos compromissos assumidos para 2025 e buscarão garantir avanços contínuos rumo ao objetivo de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, assegurando a sustentabilidade desses resultados no futuro.
“O caminho para acabar com a AIDS até 2030 existe e continua aberto”, conclui Guterres. “Mas somente se agirmos em conjunto.”
O UNAIDS conclama todos os governos a utilizarem a próxima Reunião de Alto Nível sobre HIV/AIDS para renovar:
“Acabar com a AIDS é uma escolha política. Com coragem, solidariedade e investimento, podemos concluir essa missão”, afirmou Winnie Byanyima.
O relatório do secretário-geral da ONU constitui uma referência fundamental para orientar as negociações dos Estados-Membros sobre a nova Declaração Política sobre HIV/AIDS, em preparação para a Reunião de Alto Nível sobre HIV/AIDS, que ocorrerá nos dias 22 e 23 de junho de 2026.
Mais informações, incluindo o relatório e a Declaração da Sociedade Civil para a Reunião de Alto Nível, estão disponíveis na página especial do UNAIDS dedicada à Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre HIV/AIDS.
Clique nos links para acessar as versões completas do relatório em: Árabe | Chinês | Inglês | Francês | Russo | Espanhol