Príncipe Harry, Charlize Theron, Magic Johnson e Thuso Mbedu se unem ao UNAIDS em filme que pede continuidade do financiamento para acabar com a AIDS

Porta-vozes globais da resposta ao HIV uniram forças em um novo curta-metragem que estreia na Assembleia Geral da ONU. A produção faz um apelo urgente para que governos e doadores mantenham os investimentos que salvam vidas e são essenciais para acabar com a AIDS até 2030.

Risco de retrocesso com cortes no financiamento

O UNAIDS alerta que os cortes drásticos e súbitos de financiamento já afetam países com alta carga de HIV, como Essuatíni, Moçambique e África do Sul. Nessas regiões, há falta de agentes comunitários de saúde e de profissionais de coleta de dados. 

Segundo o UNAIDS, se o financiamento não for restabelecido, até 6 milhões de infecções por HIV adicionais poderão ocorreras e 4 milhões poderão morrer de causas relacionadas à AIDS entre 2025 e 2029. 

Estreia na Assembleia Geral da ONU

O curta-metragem, produzido pelo renomado roteirista e produtor de Hollywood Ron Nyswaner, terá estreia mundial em 22 de setembro durante a Assembleia Geral da ONU. 

A produção mostra o impacto devastador dos cortes recentes no financiamento e pede renovação do compromisso político para acabar com a AIDS. 

O filme conta com a participação de Príncipe Harry, o Duque de Sussex, Charlize Theron, Earvin “Magic” Johnson e Thuso Mbedu, além do ativista mexicano Fabian Quezada e da influenciadora digital sul-africana Andiswa Cindi, de 22 anos. 

“A resposta global ao HIV salvou milhões de vidas por mais de duas décadas, unindo países em solidariedade internacional para pôr fim à crise da AIDS. Esperamos que o filme retrate esse sucesso e, ao mesmo tempo, sirva como um chamado à ação para a continuidade do financiamento desse trabalho essencial”, disse Ron Nyswaner. 

Histórias de engajamento e resposta ao HIV 

Nyswaner tem uma ligação histórica com o tema HIV. Em 1993, foi roteirista do filme Philadelphia, que rendeu a Tom Hanks o Oscar por sua atuação como um advogado enfrentando discriminação por viver com HIV. Em 2023, levou a crise da AIDS à nova geração com a série Fellow Travelers

O Príncipe Harry, que há anos apoia iniciativas globais sobre HIV em países como Botsuana e Lesoto, reforçou o alerta: “Neste momento, bebês estão nascendo com HIV devido às interrupções no tratamento antirretroviral de suas mães. Sem ação urgente para reverter esses cortes paralisantes, 6 milhões de infecções por HIV adicionais serão registradas e 4 milhões morrerão de causas relacionadas à AIDS nos próximos quatro anos. Não são apenas as comunidades mais vulneráveis que serão afetadas. Já provamos que o investimento contínuo salva vidas e fortalece comunidades. Abandonar esse trabalho agora seria uma traição devastadora ao progresso conquistado.” 

A atriz vencedora do Oscar Charlize Theron também destacou a importância da solidariedade internacional: “O fim da AIDS não é um sonho distante — está ao nosso alcance, construído sobre décadas de ativismo incansável, defesa de direitos e compromisso coletivo. Das descobertas científicas à solidariedade global, traçamos um caminho para o controle da epidemia. Agora, enquanto lideranças mundiais se reúnem na Assembleia Geral da ONU, temos o poder de concluir o que começamos. O momento de acabar com a AIDS é agora, e precisamos ter coragem para levar esse esforço até o fim.” Theron é fundadora do Charlize Theron Africa Outreach Project, voltado para jovens do continente africano. 

Já Earvin “Magic” Johnson, que vive abertamente com HIV há muitos anos, atua contra o estigma e é CEO da Magic Johnson Enterprises

Novas ferramentas de prevenção e tratamento

O filme também destaca inovações científicas recentes, como o lenacapavir, medicamento quase 100% eficaz na prevenção do HIV, aplicado em injeções apenas duas vezes por ano. 

O remédio tem potencial para mudar o curso da epidemia, desde que seja disponibilizado de forma acessível a todas as pessoas que necessitam. 

A atriz sul-africana Thuso Mbedu, em parceria com o UNAIDS e a Elton John AIDS Foundation, também fez um apelo: “Acabar com a AIDS exige ação coletiva e apoio da humanidade para garantir que ninguém que precise de tratamento antirretroviral que salva vidas em Uganda ou Moçambique fique fora da resposta. As lideranças mundiais precisam continuar a investir na resposta global ao HIV para salvar vidas.” 

Transformações alcançadas pela resposta global ao HIV

Os avanços da resposta ao HIV já transformaram vidas. Na África Subsaariana, a expectativa de vida passou de 56,5 anos em 2010 para 62,3 anos em 2024, graças ao acesso ampliado a medicamentos. As novas infecções caíram 40%, enquanto as mortes relacionadas à AIDS diminuíram 56% desde 2010. 

A mensagem final do filme é nítida: nenhum país pode acabar sozinho com a AIDS. Somente a solidariedade global pode garantir o fim da epidemia. 

Assista ao curta-metragem abaixo, em inglês.