No Brasil, 53% das pessoas com HIV já foram alvo de discriminação

Ainda depois de mais de 40 anos da resposta ao HIV, estigma e discriminação em ambientes de saúde, trabalho e entre a própria família ainda são presentes na vida das pessoas que vivem com HIV.

Lançado no dia 08 de maio, o Índice de Estigma em Relação às pessoas vivendo com HIV 2025 foi liderado pela sociedade civil e apresenta dados que demonstram o quanto barreiras sociais e estruturais ainda impactam a vida das pessoas que vivem com HIV.

O estudo foi apoiado pelo UNAIDS, executado pela Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero e PUC-RS, e produzido pelo Consórcio de Redes de Pessoas que vivem com HIV, que é composto pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+), a Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/AIDS (RNTTHP), a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e AIDS (RNAJVHA), o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) e a Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (ANAIDS).

Confira abaixo alguns dados de destaque:

  • 52,9% das pessoas entrevistadas já sofreram discriminação em função da sorologia ao longo da vida;
  • 34,8% relataram discriminação dentro da própria família;
  • 46,1% não têm certeza ou sabem que seu estado sorológico não é mantido em sigilo nos serviços de saúde;
  • 13,1% foram tratadas de forma discriminatória em serviços de saúde nos últimos 12 meses;
  • 29,1% demonstraram sintomas de depressão e 41,2% relataram sintomas de ansiedade relacionados ao estigma.
Sobre o estudo

Conduzido em sete capitais brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Recife, Brasília e Manaus —, o levantamento revela dados sobre a persistência do estigma, da discriminação e das violações de direitos humanos que ainda impactam diretamente a vida das pessoas vivendo com HIV no país, mesmo depois de 40 anos de resposta ao HIV.

A edição de 2025 incluiu, pela primeira vez dados sobre saúde mental e sobre os efeitos das crises climáticas e da pandemia da Covid-19 no acesso à saúde das pessoas vivendo com HIV, além de informações sobre saúde mental – segundo o estudo, 20,5% enfrentaram dificuldades para obter medicamentos devido a esses eventos.

Sobre o lançamento

O lançamento aconteceu na quinta-feira, dia 08, na Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR). Participaram do lançamento representantes da sociedade civil, do governo, da academia e de organismos internacionais comprometidos com a resposta ao HIV e à AIDS no Brasil.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A resposta ao HIV/AIDS faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), correspondendo ao ODS 3: Saúde e Bem-estar.

Uma de suas metas visa acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas, e combater a hepatite e outras doenças transmissíveis até 2030.

Assista abaixo à gravação do lançamento do Índice de Estigma.