Jovens ativistas celebram Dia Internacional de Luta contra Homofobia

“A evasão das travestis da escola é muito grande e isso já não é mais aceitável. A pessoa trans tem, sim, que estar nas escolas, estar nas universidades e merece ser inserida no mercado de trabalho e ter a opção de escolher sua profissão e não ser obrigada e ter a única opção de ser prostituta. Eu sou travesti !(…)E sou cidadã!”

O desabafo é da paraibana Ayune Bezerra, uma das 50 jovens lideranças que estiveram reunidas na última segunda-feira (11/5) na sede das Nações Unidas, em Brasília, para uma dupla celebração: o início das comemorações do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia (celebrado mundialmente no dia 17 de maio) e o encerramento do primeiro Curso de Formação de Jovens Lideranças – Ativismo e mobilização social para a resposta e controle do HIV/AIDS.

As lideranças jovens participaram de um debate com o tema Homofobia no Brasil: desafios e estratégias de superação. Entre os debatedores estiveram o Jorge Chediek (Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil), Fábio Mesquita (Diretor do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde – DDAHV), Luiz Vieira (Coordenador Geral LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), e Rafaelly Weist (Representante da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT).

Debate sobre o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, conhecido pela sigla em inglês IDAHOT. Foto: Renato Oliveira/ASCOM DDAHV

Debate sobre o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, conhecido pela sigla em inglês IDAHOT. Foto: Renato Oliveira/ASCOM DDAHV

“Estou aqui na Casa da ONU para demonstrar nossa solidariedade pessoal e institucional com toda forma de combate a este preconceito inaceitável”, afirmou o Coordenador do Sistema ONU na abertura do evento. Chediek também falou sobre as ações recentes das Nações Unidas para a promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), entre elas o lançamento do manual Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, no âmbito das iniciativas Livre e Iguais e Zero Discriminação.

Após o debate, os jovens participaram também da inauguração da exposição fotográfica TRANS[ver], do fotógrafo Fábio Rebelo, na sede da ONU em Brasília. As fotografias retratam a beleza e a força de mulheres transexuais, provocando o deslocamento no olhar das pessoas e a reflexão de que o corpo não determina necessariamente a expressão da identidade de gênero.

Jovens participam de oficinas durante o curso. Foto: Renato Oliveira/ASCOM DDAHV

Jovens participam de oficinas durante o curso. Foto: Renato Oliveira/ASCOM DDAHV

Jovens líderes

O Curso de Formação de Jovens Lideranças, realizado de 7 a 11 de maio em Brasília, buscou empoderar e capacitar a juventude de populações-chave – profissionais do sexo, travestis e transexuais, homens que fazem sexo com homens, pessoas vivendo com HIV e pessoas que usam drogas –, além de jovens profissionais de saúde, redutores de danos e ativistas da população negra e indígena, sobre os principais desafios da resposta ao HIV no país.

As oficinas e palestras apresentaram aos jovens informações sobre HIV/AIDS, o Sistema Único de Saúde (SUS), Direitos Humanos, sexualidade, gênero, ativismo na juventude e relações com as diferentes mídias – tradicionais e digitais.

 “Acho que o curso foi um divisor de águas na vida de todos nós: entramos talvez imaturos, inseguros, e saímos como jovens líderes, conscientes, que precisam apenas de visibilidade e de oportunidade para falar”, disse Onofre Malta Netto, do Rio de Janeiro, jovem participante do curso, durante a cerimônia na Casa da ONU.

“Cada um de nós é fundamental para construir um mundo melhor – um mundo que aceite a diversidade, que respeite os direitos humanos, e em que a gente possa controlar epidemias que estão muito relacionadas à nossa sociedade”, disse Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DDAHV). Mesquita destacou o papel das novas lideranças formadas no enfrentamento do estigma e discriminação, bem como no empoderamento da sociedade civil na resposta à epidemia da AIDS.

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