Especialistas debatem sobre papel da mídia na cobertura sobre a AIDS

Às vésperas do Dia mundial de luta contra a Aids (01/12), o Portal Imprensa mobilizou especialistas em comunicação, saúde, educação e organizações internacionais e não-governamentais para realizar  nesta quinta-feira (27/11) a segunda edição do Fórum AIDS e o Brasil. Segundo os organizadores do Fórum, os vídeos com os três blocos de debate estarão disponíveis em breve no Portal Imprensa.

Fruto de uma parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Ministério da Saúde, o evento foi transmitido ao vivo pela internet e contou com participação dos internautas que enviaram perguntas pelo chat. Ao longo de três blocos, o público teve a oportunidade de aprender mais sobre os temas: controle da AIDS pela ação e educação; mídia como plataforma de informação sobre o HIV;  e mobilização da sociedade civil no combate à AIDS.

“O Brasil tem um desafio muito grande pelo tamanho e complexidade do país. De um lado tem uma resposta médica fantástica, excelente, com testes sanguíneos e orais fabricados no Brasil distribuídos pelo SUS e ONGS, mas ao mesmo tempo existe muita discriminação”, disse Georgiana Braga-Orillard, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil. “Apesar de o sistema estar pronto, muita gente está morrendo sem saber que tem o vírus. A mídia tem um papel importante a cumprir”, afirma.

Segundo Georgiana, os dados mais recentes que mostraram aumento de óbitos no Brasil precisam ser analisados por duas perspectivas: em parte porque as pessoas que se tratam há muito tempo estão morrendo, mas também, principalmente, porque elas não estão se tratando a tempo. Uma das soluções para reduzir estes óbitos, segundo ela, é o trabalho em conjunto da sociedade civil com a mídia para trazer o tema ao debate, partindo, por exemplo, das novidades que podem ajudar no diagnóstico e tratamento da doença.

O painel Mobilização da sociedade civil no combate à AIDS encerrou o 2º Fórum AIDS e o Brasil, abordando casos de engajamento social que demonstram o potencial e a responsabilidade de cada um na luta contra o vírus. Além de Georgiana, participaram também Pedro Furtado, roteirista do filme “Boa Sorte”, da Conspiração Filmes, e Valdir Cimino, presidente da Associação Viva e Deixe Viver.

Para Cimino, uma das principais falhas da imprensa no processo de evitar uma epidemia é não falar da doença constantemente. “A mídia presta um desserviço quando ela não olha esses assuntos que são muito importantes para a sociedade. A mídia tem que encontrar meios e criar artimanhas para impactar e sensibilizar o público”.

Ainda segundo ele, é preciso trabalhar com as famílias e outros grupos da sociedade para trazer o tema à luz e falar dele abertamente. “Nos hospitais, às vezes, vemos crianças que estão lá fazendo o tratamento e não sabem o quê e nem por que estão passando por isso. Temos literatura, manuais e muitos outros recursos, mas existem os conflitos, os paradigmas da sociedade, da família em não falar”, explica.

Roteirista do filme “Boa Sorte”, que teve sua estreia nacional no dia 27/11, falou sobre a protagonista da trama, vivida pela atriz Debora Secco, que é uma personagem vivendo com HIV. Pedro Furtado destacou o papel da ficção abordar o tema, aproximando o assunto das pessoas. “Apesar de ter uma personagem com HIV, o filme tem outros elementos, o HIV é só mais um deles. O jovem tem milhões de interesses e se esse assunto estiver misturado com outros, naturalmente vai entrar. Outra coisa importante são as pessoas que dão depoimento, mostram a cara. Estatísticas às vezes ficam muito distantes”.

 

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