O UNAIDS publicou o Painel Financeiro de HIV com dados anuais sobre o custo de aquisição de medicamentos antirretrovirais (ARV). O documento reúne dados informados por diversos países, entre eles o Brasil.
O levantamento mostra que ainda há grande variação nos preços dos medicamentos, especialmente nos medicamentos de segunda linha. Esses tratamentos são utilizados quando o HIV desenvolve resistência ao tratamento inicial.
As informações contidas no painel mostram que os regimes de segunda linha apresentam custos significativamente mais altos, e faz com que países de renda média — como o Brasil —enfrentem maior pressão sobre os orçamentos de saúde.
Por outro lado, o relatório mostra que, para os medicamentos de primeira linha, os modelos de compras internacionais conseguem alcançar preços médios mais competitivos do que as compras realizadas dentro do país, o que indica oportunidades para aumentar a eficiência das compras públicas.
Entre as estratégias recomendadas estão:
Além disso, os dados disponíveis no Painel Financeiro de HIV apresentam preços médios unitários por esquema terapêutico. As informações também são desagregadas por região, grupo de renda, país e modalidade de aquisição.
A compra de medicamentos antirretrovirais é um custo recorrente e permanente para todos os países. Na maioria dos casos, trata-se do maior componente do orçamento destinado à resposta ao HIV.
Por isso, a estabilidade e a previsibilidade do financiamento são essenciais, para não ocorrer interrupções no tratamento e impactos no controle da epidemia.
Além disso, as novas metas globais para a AIDS incluem um compromisso direto com a garantia de preços justos para medicamentos e esquemas terapêuticos.
Em nível nacional, o UNAIDS também recomenda que os países monitorem regularmente os preços de aquisição de ARV. Esse acompanhamento deve fazer parte de uma análise mais ampla do financiamento da resposta ao HIV.
A partir do final de 2026, esse conjunto de dados global também será ampliado para incluir os antirretrovirais utilizados na profilaxia pré-exposição (PrEP), incluindo inovações de longa duração, reforçando a sua relevância para o financiamento integrado da prevenção e do tratamento do HIV.
No caso do Brasil, os dados mostram que o financiamento da resposta ao HIV é majoritariamente público. O país investe anualmente milhões de dólares na compra de medicamentos e na manutenção do tratamento.
No país, o financiamento internacional representa uma parcela muito pequena do total. Na maioria dos anos, [o financiamento externo] não ultrapassa 1% do orçamento destinado à resposta ao HIV.
Entre 2006 e 2014, os investimentos públicos cresceram de cerca de US$ 562 milhões para mais de US$ 804 milhões, um aumento de cerca de 43%, o maior valor da série.
No entanto, após esse período houve redução gradual, com queda acentuada durante a pandemia de COVID-19. Em 2024, o investimento público voltou a cerca de US$ 649 milhões. Ainda assim, o valor permanece aproximadamente 19% abaixo do pico histórico registrado em 2014.
Como política de Estado, o país oferece gratuitamente diagnósticos, medicamentos e insumos para prevenção e tratamento ao HIV por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).