
A resposta global ao HIV chegou a um momento decisivo. Tecnologias inovadoras de prevenção de longa duração, como o lenacapavir e o cabotegravir, oferecem uma oportunidade real de frear a epidemia de HIV.
Esses medicamentos injetáveis, considerados uma das maiores descobertas científicas de 2024 pela revista Science, demonstraram alta eficácia. O lenacapavir, por exemplo, apresentou proteção de quase 100% contra o HIV em estudos recentes.
Apesar dos avanços, o mundo enfrenta uma grave crise de financiamento na resposta ao HIV. Com mais de 1,3 milhão de novas infecções anuais — número três vezes superior à meta estabelecida para 2025 —, a falta de recursos e de vontade política coloca em risco décadas de conquistas, deixando milhões de pessoas para trás
Winnie Byanyima, diretora-executiva do UNAIDS, de forma direta, diz: “Se continuarmos nesse caminho, poderemos ver mais seis milhões de novas infecções por HIV e quatro milhões de mortes relacionadas à AIDS até 2029. Em termos simples, perderemos o controle da pandemia de AIDS.” Ela acrescentou: “Temos uma oportunidade hoje. Com essas novas tecnologias de prevenção de longa duração, podemos mudar o rumo da epidemia.”
Na véspera da 78ª Assembleia Mundial da Saúde, lideranças da saúde global se reuniram na sede do UNAIDS, em Genebra, para o Diálogo Multissetorial de Alto Nível sobre Prevenção do HIV. O foco do encontro foi acelerar o acesso às tecnologias de prevenção de longa duração e fortalecer sistemas sustentáveis de prevenção ao HIV.
O evento foi organizado pela Coalizão Global para a Prevenção do HIV, com apoio do UNAIDS, UNFPA, OMS, PNUD, Brasil e Países Baixos.
Representando o Brasil, Mariângela Simão destacou os avanços no uso da profilaxia pré-exposição (PrEP): “A PrEP no Brasil já é uma realidade. Inicialmente, nossa meta era alcançar 50 mil pessoas até 2025, mas já superamos essa marca com 122 mil usuários. Nosso novo objetivo é alcançar 300 mil até o próximo ano.”
Mariângela também apontou que a incidência do HIV caiu nas cidades com mais de 100 mil habitantes onde a cobertura de PrEP é maior.
Acima, Mariângela Simão, na 78a Assembleia Geral da Saúde. Para ver a fala de Dr. Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI), clique aqui.
O especialista em prevenção e CEO da AIDS Vaccine Advocacy Coalition (AVAC), Mitchell Warren, enfatizou a importância da diversidade de métodos preventivos: “Preservativos funcionam bem para algumas pessoas. A PrEP oral é eficaz para quem consegue tomar o comprimido diariamente. O anel vaginal de dapivirina e a circuncisão masculina também são opções válidas, assim como a redução de danos é altamente eficaz para pessoas que fazem uso de drogas. Agora, os injetáveis de longa duração são uma alternativa para quem precisa de métodos mais convenientes e discretos.”
As discussões do evento destacaram:
O embaixador dos Países Baixos na ONU, Paul Bekkers, encerrou o encontro com um apelo: “Não agir agora significa deixar uma epidemia ainda maior para a próxima geração. Mas podemos, de forma conjunta, colocar o mundo no caminho certo para controlar o HIV e, um dia, acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública.”
O UNAIDS e a Coalizão Global para a Prevenção do HIV lançaram a publicação: “Uma inovação histórica em tempos de crise: como aproveitar esta oportunidade?”
O material destaca como os novos medicamentos injetáveis podem transformar a resposta global ao HIV — desde que o mundo invista e aja com urgência.