
O UNAIDS, em parceria com a Avenir Health, lança a Ferramenta de Estimativa das Necessidades de Recursos, disponível online, para apoiar países na estimativa dos recursos financeiros necessários para alcançar as metas estabelecidas em seus planos nacionais de resposta ao HIV.
A ferramenta é lançada em um momento de crescente pressão sobre o financiamento global da resposta à epidemia. Por isso, a plataforma oferece uma solução prática e baseada em evidências para apoiar o planejamento estratégico, a elaboração de propostas de financiamento e a mobilização de recursos nacionais. Além disso, a ferramenta contribui para que governos identifiquem lacunas de investimento e definam prioridades de forma mais eficiente.
A Ferramenta de Estimativa das Necessidades de Recursos permite calcular os recursos necessários para ampliar a cobertura de programas essenciais relacionados ao HIV. Entre as áreas contempladas estão:
O modelo abrange 30 categorias de recursos e utiliza uma base de dados de 118 países de baixa e média renda. Para isso, combina informações sobre população, cobertura atual dos serviços e custos unitários das intervenções.
Por padrão, a plataforma utiliza as metas globais para 2030, alinhadas ao compromisso internacional de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública. No entanto, os países podem adaptar os parâmetros de acordo com suas estratégias, prioridades e contextos nacionais. Como resultado, a ferramenta gera estimativas anuais sobre o número de pessoas alcançadas, as necessidades financeiras por intervenção e os investimentos necessários para 13 caminhos essenciais relacionados ao HIV.
A ferramenta já está sendo utilizada por diversos países para apoiar análises de custos e solicitações de financiamento ao Fundo Global. Entre os países que adotaram a plataforma estão Moçambique, Essuatíni, Vietnã, Tailândia, Quênia e Sudão do Sul.
Dessa forma, os governos conseguem produzir evidências mais robustas para orientar decisões sobre financiamento e sustentabilidade da resposta ao HIV.
Embora a plataforma ofereça uma estrutura analítica sólida e bases de dados consolidadas, o UNAIDS recomenda que cada país valide as informações utilizadas e interprete os resultados de acordo com sua realidade local. Esse processo é fundamental para garantir que as estimativas reflitam necessidades reais e apoiem decisões de políticas públicas e investimentos.
Além disso, o UNAIDS pode oferecer apoio técnico personalizado, conforme a demanda e o contexto de cada país, para facilitar a utilização da ferramenta e a interpretação dos resultados.
Ao disponibilizar ferramentas acessíveis e adaptáveis, o UNAIDS e a Avenir Health buscam fortalecer o planejamento baseado em evidências e aprimorar a tomada de decisões sobre investimentos em HIV.
“À medida que os países enfrentam pressões crescentes sobre o financiamento e precisam otimizar recursos limitados para o HIV, abordagens flexíveis e lideradas pelos próprios países para estimar necessidades de recursos tornam-se cada vez mais importantes. Elas apoiam a definição de prioridades baseada em evidências, o planejamento da sustentabilidade e o avanço rumo ao fim da AIDS“, afirma Jaime Atienza, diretor da Área de Sustentabilidade do UNAIDS.
Dados do custo necessários no Brasil por intervenção até 2030.
O lançamento da Ferramenta de Estimativa das Necessidades de Recursos complementa outras iniciativas do UNAIDS voltadas ao fortalecimento das análises sobre financiamento do HIV. Entre elas está o Painel Financeiro sobre o HIV, plataforma que reúne dados detalhados sobre investimentos e tendências de financiamento da resposta ao HIV em diferentes países.
Segundo Deepak Mattur, assessor sênior do UNAIDS para Rastreamento de Recursos e Monitoramento de Produtos de Saúde e ponto focal técnico da ferramenta, novas funcionalidades já estão previstas.
“A ferramenta ajuda os países a produzir evidências estratégicas de custeio em contextos de restrição orçamentária. Os próximos aprimoramentos incluirão análises em nível subnacional, maior personalização dos modelos de prestação de serviços liderados pela comunidade e a incorporação de facilitadores sociais nas análises de custos“, destaca.