
A resposta ao HIV vive um momento decisivo. Se a prevenção perder prioridade, os avanços conquistados podem ser revertidos. Por isso, especialistas alertam para a necessidade de ampliar investimentos e garantir acesso contínuo.
Entre 2023 e 2024, o mundo registrou 1,3 milhão de novas infecções por HIV por ano. Com este resultado, o cenário global ainda está fora do caminho para acabar com a epidemia até 2030.
No entanto, há progresso. Países como Lesoto, Malaui, Nepal, Ruanda e Zimbábue, desde 2010, reduziram novas infecções em 75%.
A nova Estratégia Global de AIDS 2026–2031 foi construída com países e comunidade e orienta o novo Marco Global de Acesso à Prevenção do HIV.
O marco foi desenvolvido pela Coalizão Global de Prevenção do HIV, que desde 2017 atua para fortalecer o compromisso político e financeiro com a prevenção.
Material “Prevenção do HIV 2030: Um Marco Global de Acesso para Respostas Lideradas pelos Países“, em tradução literal para o português.
“Nossa visão é que todas as pessoas que precisam tenham acesso às opções de prevenção do HIV. Isso é possível com investimentos robustos e sustentados, uso eficiente de recursos e programas baseados em evidências, com os direitos humanos e as comunidades no centro”, afirmou Angeli Achrekar, diretora executiva adjunta do UNAIDS.
O marco estabelece objetivos concretos até 2030:
Essa combinação levaria a uma redução de 90% nas novas infecções por HIV globalmente.
Além disso, metas numéricas reforçam o compromisso dos objetivos da Estratégia Global para a AIDS 2026-2031:
Para otimizar recursos, o marco propõe cinco prioridades:
Nos últimos anos, novas tecnologias ampliaram as alternativas disponíveis. Entre elas, destaca-se o lenacapavir, uma opção injetável de longa duração – aplicado duas vezes por ano para a prevenção do HIV.
Além disso, serviços de saúde sem estigma que integram prevenção do HIV, plataformas digitais, participação comunitária, telemedicina e soluções com inteligência artificial também facilitam o acesso.
“O custo da falta de ação é alto. Inovações, incluindo novas opções de prevenção de longa duração, como o lenacapavir, ampliaram as escolhas disponíveis. Agora, ainda são necessários velocidade, escala e equidade para transformar avanços científicos em impacto real na saúde pública”, afirmou Mitchell Warren, copresidente da Coalizão Global de Prevenção do HIV e diretor executivo da AVAC. “A história nos julgará duramente se falharmos em aproveitar este momento científico.”
Apesar dos compromissos globais, os investimentos em prevenção ainda são insuficientes. Esse cenário é mais crítico em países de baixa e média renda.
Os governos precisam destinar pelo menos um quinto dos recursos nacionais destinados ao HIV a programas de prevenção e garantir que os insumos de prevenção — tais como a prevenção baseada em antirretrovirais, preservativos, agulhas e seringas e a circuncisão médica voluntária para prevenção do HIV — estejam disponíveis e acessíveis às pessoas a preços acessíveis.
“Um mecanismo global de prevenção adequado deve fortalecer a liderança dos países, proteger e otimizar o financiamento e alinhar parceiros e recursos às prioridades nacionais. Isso reduz a fragmentação e melhora a tomada de decisões para maximizar o impacto”, afirmou a Nduku Kilonzo, copresidente da Coalizão Global para Prevenção do HIV.
O futuro da resposta ao HIV depende de ações coordenadas, que dependem da capacidade de implementar uma prevenção combinada em grande escala, baseada nos direitos humanos e na dignidade, impulsionada por governos, comunidades e jovens, e integrada à saúde sexual e reprodutiva.
“O futuro da resposta ao HIV dependerá da nossa capacidade de ampliar a prevenção combinada, com base nos direitos humanos e na dignidade, liderada por governos, comunidades e jovens, e integrada à saúde sexual e reprodutiva. O UNFPA está empenhado em atender às necessidades de todos os grupos populacionais, especialmente as das adolescentes e das jovens. Seguiremos trabalhando para que ninguém seja deixado para trás”, afirmou Pio Smith, diretor executivo adjunto do UNFPA.
A UNAIDS, o UNFPA, o GPC e seus parceiros continuarão a impulsionar o progresso por meio de uma campanha global para manter atingir as metas de prevenção para 2030.