UNESCO, em parceria com o UNAIDS, lança série de publicações sobre educação em saúde para povos indígenas no Maranhão

A UNESCO lançou, no dia 4 de dezembro de 2025, a série de publicações “Educação em Saúde e Bem-Estar para Populações Indígenas: Awá, Akroá-Gamela, Guajajara e Ka’apor”. O lançamento ocorreu no Centro Escolar Indígena Bilíngue Guajajara, localizado na aldeia Massaranduba, na Terra Indígena Caru, no Maranhão.

Educação em saúde com protagonismo indígena

O material reúne informações sobre educação em saúde e bem-estar e foi desenvolvido a partir de uma abordagem intercultural. Os conteúdos, ilustrações e imagens foram produzidos pelos próprios povos indígenas, em suas línguas originárias.

Interculturalidade como base do cuidado

A metodologia adotada garantiu que a voz indígena estivesse no centro da construção dos materiais. Dessa forma, a série valoriza a autonomia dos povos e reconhece suas cosmovisões como fundamentais para a promoção da saúde.

“Estes materiais não são apenas ferramentas de educação em saúde, mas pontes de diálogo. A verdadeira educação em saúde e bem-estar nasce do respeito e da integração entre saberes tradicionais e informações científicas”, afirma Mariana Braga, oficial de Programa do Setor de Educação da UNESCO no Brasil.

Cooperação interinstitucional e atuação do UNAIDS

A iniciativa é resultado da cooperação interinstitucional entre o UNAIDS, do Fundo de Resposta e Recuperação da COVID-19 do Secretário-Geral das Nações Unidas, do Ministério da Educação (MEC), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Ministério da Saúde.

“Os materiais reforçam o trabalho multissetorial do Joint Team na resposta ao HIV. Ao mesmo tempo, respeitam a autodeterminação dos povos indígenas em relação à saúde, à prevenção e à preservação de suas culturas, já que foram produzidos em línguas originárias”, destaca Gabriel Borba, coordenador de Legislativo e Comunidades do UNAIDS no Brasil.

Dezembro Vermelho e resposta ao estigma

O lançamento ocorreu durante o Dezembro Vermelho, mês de mobilização global na resposta à AIDS. Nesse contexto, a série reafirma a educação em saúde como um direito humano fundamental, especialmente quando construída de forma acessível, inclusiva e culturalmente adequada.

Expansão da série de publicações para outros territórios

A UNESCO, em parceria com o UNAIDS, já desenvolveu 13 materiais educativos voltados à educação em saúde para diferentes povos indígenas. No Alto Solimões, os conteúdos foram produzidos para os povos Matis, Mayoruna, Kanamari, Marubo e Tikuna. Em Roraima, os materiais atenderam os povos Warao e E’ñepá.

Agora, a série contempla também os povos Kamayurá e Yawalapiti, no Xingu (Mato Grosso), além dos povos Awá, Akroá-Gamela, Ka’apor e Guajajara, no Maranhão. No segundo semestre de 2025, a UNESCO iniciou ainda diálogos interculturais com povos do Alto Rio Negro para a produção de novos materiais em línguas originárias.

Fortalecimento das ações educativas nos territórios

A Série Educação em Saúde e Bem-Estar apoia escolas indígenas, profissionais de saúde, agentes indígenas e lideranças comunitárias. O objetivo é fortalecer práticas de cuidado mais efetivas, respeitosas e alinhadas às realidades locais, além de ampliar o acesso a materiais educativos nas escolas indígenas.

Para além destes materiais, a organização promove a participação indígena no desenvolvimento de iniciativas que respeitam o conhecimento tradicional, por meio de ferramentas como a Política da UNESCO de colaboração com os povos indígenas e a Década Internacional das Línguas Indígenas.

Informações publicadas originalmente no site da UNESCO.