UNAIDS destaca a necessidade de ampliar o atendimento integrado de TB/HIV

Líderes globais se reuniram para a primeira Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose em 26 de setembro. A reunião foi um momento fundamental para impulsionar o cumprimento de compromissos políticos e assegurar uma resposta à TB e ao HIV coordenada e centrada nas pessoas.

Durante a manhã, antes da abertura da Reunião de Alto Nível, comunidades, Ministros da Saúde, representantes das Nações Unidas, implementadores de programas de TB/HIV e especialistas técnicos se reuniram no evento paralelo Não deixar ninguém para trás: ampliando os  cuidados integrados e centrados nas pessoas de TB/HIV rumo à cobertura universal de saúde. O evento promoveu um espaço para discussão dos desafios atuais, lacunas e oportunidades e como cada parte envolvida tem uma oportunidade única de se comprometer a aumentar os esforços, superar as barreiras e ampliar os programas e políticas que funcionam.

Aproximadamente 10 milhões de pessoas adoeceram devido à tuberculose em 2017. A Organização Mundial da Saúde estima que quase um quarto da população mundial tem uma infecção latente por tuberculose. A tuberculose é a principal causa de morte entre as pessoas que vivem com HIV, causando um terço de todas as mortes relacionadas à AIDS. Embora os programas de tuberculose geralmente tenham uma taxa de testagem de HIV muito alta, os programas de HIV não estão testando, prevenindo e tratando a TB suficientemente.

O painel de profissionais e pessoas afetadas por TB/HIV discutiu o que é preciso para construir uma abordagem efetiva e sustentada que ofereça cuidados integrados de qualidade, baseados em uma resposta forte da comunidade. Os palestrantes pediram por uma resposta financiada adequadamente, baseada em direitos e firmemente ancorada na estratégia de cobertura universal de saúde e na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Os palestrantes reiteraram a importância crítica de envolver os usuários dos serviços de saúde no planejamento e implementação desses serviços e de se manterem responsáveis ​​perante as comunidades que estão no centro da prestação de serviços. Eles pediram pelo fim do modelo de um cliente-duas clínicas que foi a base do tratamento de TB/HIV no passado e concordaram sobre a importância dos cuidados centrados nas pessoas e de um ambiente de financiamento e uma posição do governo que encoraja o acesso local e a programação conjunta.

CITAÇÕES

“A tuberculose não tem fronteiras. A tuberculose e o HIV afetam e matam milhões no mundo. Não podemos continuar agindo normalmente. Pedimos que nossos governos assumam um papel de liderança no financiamento da resposta. Doadores e governos nacionais precisam crescer.”

Carol Nawina Nyiendra, Diretora Executiva da Iniciativa Comunitária Para Tuberculose, HIV/AIDS e Malária, além de Doenças Relacionadas

“A tuberculose não é apenas um problema técnico, é uma questão verdadeiramente política. É uma questão de pobreza, de pessoas que não tiveram acesso à informação e foram deixadas para trás. Precisamos aprender com o que fizemos na resposta à AIDS e aplicá-lo à resposta à tuberculose. Não podemos falar em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável se continuarmos a trabalhar em bolhas.”

Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS

“Um cliente e duas clínicas: este modelo tem que ser quebrado. Precisamos mudar as clínicas para serem amigáveis ​​aos jovens, amigáveis ​​aos homens e amigáveis ​​para as mulheres que não estão grávidas—para levar as pessoas às clínicas. Não podemos ter apenas palavras, o cliente tem que estar no centro. Todo ministro da saúde precisa voltar desse encontro e fazer com que os programadas de TB/HIV trabalhem juntos. “

Deborah Birx, Coordenadora Global de AIDS dos Estados Unidos e Representante Especial para Diplomacia da Saúde Global

“Por que tantas pessoas vivendo com HIV morrem devido à tuberculose? As pessoas que mais precisam são deixadas para trás. Precisamos de novos e aprimorados medicamentos e diagnósticos, novos modelos de prestação de serviços baseados no que as pessoas e comunidades precisam e serviços integrados para a TB/HIV e outras questões de saúde.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde

“As pessoas que têm mais em risco são aquelas que usam os serviços. É um erro trágico que os governos não entendam isso. Precisamos mudar os sistemas para as necessidades das pessoas e criar um pacote de saúde mais abrangente e sustentável. Há luz no fim do túnel, mas é um longo túnel.”

Eric Goosby, Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas sobre Tuberculose

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