‘Precisamos frear o aumento de novas infecções de HIV entre pessoas que usam drogas injetáveis’, diz UNAIDS

Como parte dos esforços para frear o surgimento de novas infecções por HIV entre pessoas que usam drogas injetáveis, o UNAIDS levou uma mensagem urgente à Comissão de Drogas e Narcóticos, que se reuniu em Viena, na Áustria, em meados de março, para sua sexagésima sessão. Em declaração à comissão, o UNAIDS fez uma advertência sobre o espantoso aumento das infecções pelo HIV entre as pessoas que usam drogas injetáveis e observou que os países estão falhando em investir e entregar estratégias eficazes para lidar com o crescente problema.

Comissão de Drogas e Narcóticos, em Viena, para sua sexagésima sessão

A infecção pelo HIV entre pessoas que usam drogas injetáveis é uma questão global importante. Entre 2011 e 2014, houve um aumento de 33% nas novas infecções por HIV entre as pessoas que usam drogas injetáveis. Cerca de 14% dos 12 milhões de pessoas que usam drogas injetáveis no mundo inteiro, 1,6 milhão de pessoas estão vivendo com o HIV.

O UNAIDS estima que as pessoas que usam drogas injetáveis são até 24 vezes mais propensas a viver com o HIV do que as pessoas na população em geral. Apesar disso, as pessoas que usam drogas injetáveis são freqüentemente sujeitas a exclusão e marginalização e ficam fora do alcance de serviços que priorizam a saúde e os direitos humanos.

A boa notícia é que existem programas simples e econômicos que funcionam. A terapia de manutenção com metadona, por exemplo, tem sido associada a uma redução de 54% no risco de infecção pelo HIV entre pessoas que usam drogas injetáveis, mas muitos países continuam relutantes em implementar abordagens comprovadas. Apenas cerca de 50% dos países que reportaram uso de drogas injetáveis ​​implementam programas eficazes de redução de danos.

“Para acabar com a epidemia de AIDS e atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, precisamos de abordagens que coloquem as pessoas no centro e garantam o acesso à saúde e serviços comunitários para todos.”

Luiz Loures, Diretor Executivo Adjunto do UNAIDS

Estudos têm demonstrado que, se os países fossem disponibilizar terapias de manutenção, 130.000 novas infecções por HIV fora da África Subsaariana poderiam ser evitadas todos os anos – isso resultaria em um grande salto rumo ao fim da epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.

Há também sérias deficiências no financiamento, com a maior parte do financiamento para programas de redução de danos, particularmente em países de baixa renda, provenientes de fontes internacionais. Entre 2010 e 2014, apenas 3,3% dos fundos de prevenção do HIV foram para programas que afetam pessoas que usam drogas injetáveis.

Para atingir esta população-chave com programas eficazes de prevenção à infecção pelo HIV, o UNAIDS estima que o investimento anual em países de baixa e média renda precisará aumentar mais de dez vezes, para 1,5 bilhão de dólares até 2020.

É claro que mudanças precisam acontecer para se obter resultados. Em 2016, os Estados Membros das Nações Unidas adotaram uma Declaração Política sobre o Fim da AIDS, na qual se comprometeram a assegurar que 90% das populações-chave, incluindo pessoas que usam drogas injetáveis, tenham acesso a serviços de prevenção combinada do HIV.

Fornecer um pacote abrangente de serviços, incluindo programas de substituição de agulhas e seringas e terapia de substituição de opiáceos, em um ambiente jurídico e político que permita o acesso a serviços, será essencial para prevenir infecções pelo HIV e reduzir mortes por doenças relacionadas à AIDS, tuberculose, hepatites virais e infecções sexualmente transmitidas. O UNAIDS está trabalhando em estreita colaboração com os países para ajudá-los no alcance desses importantes objetivos dentro dos prazos acordados.

 

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