É possível viver positivamente na juventude?

Aos 25 anos de idade, Henrique Ávila acumula uma trajetória marcada por conquistas e superações. Eleito em julho deste ano coordenador nacional da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA), o ativista já participava das primeiras ações da Rede em seu estado, Tocantins, e tem muitas histórias sobre as dificuldades enfrentadas por ele e outros jovens quando foram diagnosticados positivos para o HIV.

Um dos maiores desafios, segundo ele, é o jovem receber a informação de que é soropositivo e ter que vencer não apenas seus próprios preconceitos e ignorância sobre o assunto, mas também ter que superar o preconceito ainda muito enraizado na sociedade. “Neste primeiro momento, um dos maiores desafios é a aceitação e a adesão ao tratamento”, conta. “Eu mesmo já fui muito rebelde e aprendi a duras penas de que a adesão e a aceitação são pilares essenciais para a nova vida que temos que levar”.

Hoje à frente de um da única rede nacional de jovens vivendo com HIV, Ávila falou ao UNAIDS sobre momentos que determinaram a sua atuação e militância. Levado a deixar sua casa muito cedo por sofrer com o preconceito dentro da própria família, sua trajetória como ativista começou pela participação no movimento LGBT, que abriu as portas para que ele chegasse até a RNAJVHA.

“Descobri a rede e me apaixonei, porque não imaginava, no momento em que eu me descobri soropositivo, que tinha um grupo tão forte e unido de jovens que procuravam se autoajudar”, lembra Ávila sobre seu primeiro contato com o grupo.

 

Juventude, saúde, relacionamentos e o HIV

Além da autoaceitação, uma das grandes preocupações dos jovens que se descobrem soropositivos é o medo: de sofrer com o estigma em serviços de saúde, de iniciar relacionamentos amorosos, entre tantos outros. Para Ávila, tudo isso pode ser vencido com ajuda de uma ferramenta essencial: a informação.

Segundo ele, a informação é fundamental para o redescobrimento da sexualidade e para que a juventude saiba que é  possível ter uma vida sexual e reprodutiva plena, como qualquer outro jovem precisa e pode vivenciar.

Reafirmando os direitos concedidos pelo Estatuto da Juventude na área de saúde, Ávila destaca a importância de trabalharmos para que serviços e agentes de saúde atendam às necessidades dos jovens, principalmente dos grupos mais vulneráveis à epidemia.

Jovem liderança

Quando questionado sobre sua missão à frente da Rede de Jovens, Henrique planeja focar as ações no enfrentamento da discriminação, no fomento da comunicação direcionada para a juventude sobre o HIV e na reinvindicação de direitos iguais e serviços de saúde mais inclusivos e próximos aos jovens – respeitando a diversidade, a sexualidade e identidade de gênero de cada um.

 

Preocupado com a falta de apoio e de informação, que afastam os jovens da prevenção e do tratamento, o ativista defende que o acesso à informação e o esforço conjunto de diferentes esferas da sociedade, aliados à garantia de direitos pelo Estatuto da Juventude, podem ser uma poderosa arma para o combate ao estigma e à discriminação relacionada ao HIV, contribuindo assim para o fim da epidemia de AIDS até 2030.