
Diante de cortes de financiamento que ameaçam causar 6 milhões de novas infecções por HIV e 4 milhões de mortes evitáveis relacionadas à AIDS, o UNAIDS conclama governos e parcerias presentes na 78ª Assembleia Mundial da Saúde (WHA) a reafirmarem o compromisso de acabar com a AIDS até 2030.
O UNAIDS estima que 2.300 pessoas se infectam com o HIV diariamente. Sem uma ação imediata para eliminar barreiras ao acesso à saúde, fortalecer as respostas lideradas pelas comunidades e viabilizar financiamentos sustentáveis, poderá haver uma perda drástica de vidas e milhões de novas infecções, revertendo décadas de progresso.
“Lembro-me dos dias mais sombrios da AIDS — das milhões de vidas perdidas e da ameaça existencial à segurança da saúde global. Não podemos voltar àquele cenário”, diz Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS. “Em meio às crises, a comunidade internacional precisa se unir para proteger os avanços conquistados na resposta ao HIV e levar essa batalha até o fim.”
Medicamentos antirretrovirais injetáveis de ação prolongada, como o lenacapavir — injeções semestrais com alta eficácia na prevenção de novas infecções — oferecem uma oportunidade de colocar o mundo novamente no caminho certo para acabar com a AIDS.
“Temos hoje uma chance real com novas ferramentas de prevenção do HIV de longa duração, que podem transformar fundamentalmente a resposta ao HIV e nos colocar no caminho para acabar com a AIDS até 2030”, disse Byanyima. “Precisamos de uma estratégia ambiciosa para mobilizar uma revolução na prevenção do HIV, ampliar o acesso a esses medicamentos potencialmente revolucionários e garantir que estejam disponíveis e sejam acessíveis a todas as pessoas que deles necessitam.”
O UNAIDS, a Coalizão Global de Prevenção do HIV, ministras e ministros de governo, representantes das comunidades, sociedade civil e o setor farmacêutico discutirão como remover barreiras ao acesso ao lenacapavir — incluindo questões de preços, propriedade intelectual e obstáculos regulatórios — em um evento especial paralelo à Assembleia Mundial da Saúde (#WHA78).
Durante a #WHA78, os Estados-membros adotarão um Acordo para Pandemia, que após três anos de negociações chegaram a um consenso no mês passado. “O UNAIDS assistiu horrorizado enquanto o mundo repetia muitos dos erros cometidos na pandemia da AIDS durante a COVID-19. Com o Acordo para Pandemia, os governos têm a chance de dizer: ‘nunca mais’.”
“Parabenizo África do Sul e França como copresidentes, Brasil e Tailândia como vice-presidentes, e o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom, por essa conquista histórica. Isso é uma prova de que, mesmo em tempos de crise, o multilateralismo e a cooperação global podem entregar resultados para a humanidade.”
Na #WHA78, o UNAIDS destacará a importância de implementar o Acordo, com uma abordagem equitativa, inclusiva e baseada em direitos, promovendo o acesso às inovações médicas, valorizando os sistemas comunitários e protegendo os direitos humanos.
Os recentes cortes no financiamento externo para saúde global e desenvolvimento devastaram organizações comunitárias que oferecem serviços de HIV a populações altamente vulneráveis. Muitas foram forçadas a fechar suas portas ou reduzir drasticamente suas atividades após a interrupção abrupta dos recursos internacionais.
O UNAIDS, a Coalition Plus, a Frontline AIDS e o UNAIDS estão coorganizando um evento na #WHA78, em parceria com a OMS, focado na necessidade urgente de manter e ampliar os sistemas de saúde liderados por comunidades, em meio às crises globais e à retração da ajuda internacional.
O UNAIDS tem trabalhado com governos na elaboração de planos de transição detalhados para uma maior liderança doméstica nas respostas ao HIV. Os recursos internos já representam mais de 60% do financiamento para a resposta ao HIV.
Diante de cortes maciços nos recursos internacionais, lideranças do Sul Global estão intensificando seus esforços, mas muitos países ainda enfrentam enormes desafios para ampliar o financiamento doméstico em saúde, especialmente quando seus orçamentos estão sobrecarregados por dívidas difíceis se serem quitadas.
O UNAIDS abordará a urgência de uma reforma financeira internacional para possibilitar um financiamento sustentável da saúde na África, em um evento coorganizado com o Ministério da Saúde e Bem-Estar Social da Nigéria, o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, entre outras parcerias.
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