Promovendo a igualdade de gênero no Brasil passo a passo

Daniela de Barros, assistente de finanças no escritório do UNAIDS no Brasil, também é ponto focal em gênero do UNAIDS para a América Latina e o Caribe.

Ela recorda que seu interesse e motivação em ajudar os outros e promover a igualdade surgiu de uma boa ação em sua infância. “Foi uma daquelas situações do sonho que vira realidade. Quando minha irmã e eu éramos mais jovens, meus pais não podiam pagar pelas aulas de balé. Mas a irmã da minha melhor amiga dirigia um estúdio de balé e nos convidou para começar a ter aulas sem custo. A partir de então, nunca parei de dançar.” Barros diz que a dança a ensinou a ser disciplinada, organizada, focada e trouxe a conexão entre “corpo e alma” à sua vida pessoal e ao trabalho.

“Além de todas essas habilidades importantes que uso o tempo todo como profissional e como mãe de gêmeos adolescentes, também aprendi outra lição importante nas minhas aulas de balé: aprendi a me conectar comigo mesma e a conhecer meu potencial e poder interior”, ela disse. “Não é isso que queremos de uma iniciativa tão importante como o Plano de Ação sobre Gênero do UNAIDS? Empoderamento e transformação para todas as mulheres dentro e fora desta organização?”

A partir de sua função como supervisora de aspectos financeiros, administrativos e operacionais do escritório do UNAIDS no Brasil, Barros viu que mudanças no gerenciamento são cruciais para manter a motivação da equipe. “Embora a mudança gere alguma insegurança, no final pode ser um sopro de ar fresco. Aprendi a reconhecer que a mudança é importante para as organizações.”

Daniela de Barros em seu trabalho para o UNAIDS:

Barros acredita que é hora de encorajar as mulheres a ter confiança em alcançar os seus objetivos. “O Plano de Ação sobre Gênero que temos no UNAIDS não apenas reforça nossa autoconfiança e coragem, mas também inspira os homens a apoiar as mulheres com quem trabalham”, disse.

Barros tem certeza de que “o UNAIDS a escolheu”, e não o contrário. “Estudei relações internacionais e sempre quis trabalhar para as Nações Unidas, mas confesso que nunca tinha ouvido falar do UNAIDS, até que um amigo me disse que eu deveria me candidatar à vaga”, disse ela. “Eu cresci e aprendi muito com o UNAIDS.”

Ela diz que completar 40 anos trouxe algumas mudanças significativas, e que agora quer se envolver em projetos que possam transformar vidas. Há mais de seis meses, ela ensina balé a outras mulheres e está prestes a começar o que descreve como um desejo antigo: ensinar dança a crianças e adolescentes de comunidades pobres de Brasília, onde mora.

“Gosto de pensar no balé como a realização de um pensamento budista que diz que vemos nosso mundo externo por dentro e que, trabalhando em nossa perspectiva interna, podemos mudar o mundo lá fora. Esse é o poder da dança e para onde ela pode nos levar. É isso que eu quero ensinar crianças e mulheres através do projeto.”