Em solenidade no Rio, ONU pede ‘tolerância brasileira’ como modelo contra discriminação

Evento reuniu representantes das Nações Unidas e de governos, líderes religiosos e outros parceiros para pedir o respeito às diferenças e aos direitos humanos. Campanha é liderada pelo UNAIDS. Cerimônia contou com a participação de dois netos de Nelson Mandela.

A ONU alertou nesta sexta-feira (23) para uma crise crescente em relação ao aumento da discriminação em todo o mundo, pedindo que a “tolerância brasileira” seja usada como modelo para combater o problema. Em parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro e outros parceiros, a Organização promoveu uma solenidade na estátua do Cristo Redentor, tradicional ponto turístico da cidade.

Segundo o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e secretário-geral adjunto da ONU, Luiz Loures, existe um progresso inquestionável em relação à resposta à epidemia de aids. “A questão não é mais o vírus. Nós temos a tecnologia, temos o conhecimento para levar essa epidemia ao fim. O que nos barra hoje é exatamente a discriminação e o estigma. E, neste momento, ela cresce”, disse.

Loures afirmou que existe uma “nova onda de discriminação” a nível mundial. “O que buscamos no Brasil não é só a visibilidade – os olhos do mundo estão no Brasil neste momento pela Copa do Mundo –, mas também a tolerância brasileira, com a tolerância dos brasileiros como uma lição para outros países e outras regiões do mundo onde essa tolerância é cada vez menor”, explicou.

A cerimônia é parte da campanha global ‘Zero Discriminação’ do UNAIDS – cujo objetivo é promover uma sociedade sem estigma – e da campanha ‘Somos Todos Iguais’, da Reitoria do Cristo Redentor e da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que busca promover o respeito aos direitos humanos.

No Rio de Janeiro, o coordenador da campanha ‘Zero Discriminação’ é o mobilizador social Márcio Tadeu Ribeiro Francisco, professor das universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Veiga de Almeida (UVA), ambas apoiadoras do evento. “A pior discriminação é a falta de respeito ao outro, e o Papa Francisco pede que nós usemos as redes sociais e os meios de comunicação para falar do amor ao próximo”, lembrou Márcio Tadeu.
“Brasil reflete muito do mundo”, diz neto de Mandela

O evento contou com a presença de dois netos de Nelson Mandela, Ndaba e Kweku Mandela. “Nós temos que nos manifestar contra a discriminação e temos, também, que nos envolver em programas nos quais possamos educar os jovens”, afirmou Ndaba, que fundou, ao lado de Kweku, a organização sem fins lucrativos “Africa Rising”, cujas ações são voltadas principalmente aos mais jovens com o objetivo de dar início a uma nova geração de africanos.

 

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