
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil e a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) realizarão, no dia 14 de abril, das 14h às 16h, um webinário para debater o acesso ao Lenacapavir, medicamento injetável de longa duração para prevenção do HIV, além de estratégias em estudo de implementação, como o cabotegravir injetável.
O evento busca destacar os desafios e horizontes para sua implementação no Sistema Único de Saúde (SUS), abordando o papel das novas tecnologias no tratamento e prevenção do HIV. Entre as pessoas que integram o painel estão especialistas da área de saúde, representantes da sociedade civil e do governo brasileiro.
O Lenacapavir foi reconhecido como um dos principais avanços científicos do ano pela revista Science, por sua eficácia como profilaxia pré-exposição (PrEP) e tratamento do HIV. Estudos clínicos apontam que sua administração subcutânea a cada seis meses melhora a adesão e a continuidade do uso, beneficiando populações mais vulneráveis.
“A incorporação de tecnologias injetáveis de longa duração é uma oportunidade para acelerarmos a resposta, reduzir as novas infecções por HIV e tem o potencial real de acabar com a AIDS até 2030. Precisamos ampliar as estratégias de prevenção para todas as pessoas, sobretudo as populações em situação de vulnerabilidade e que têm mais dificuldade no acesso aos serviços de saúde e tratamento para o HIV”, destaca Andrea Boccardi Vidarte, diretora e representante do UNAIDS no Brasil.
O lenacapavir pode fortalecer a adesão ao tratamento, já que administração semestral simplifica a incorporação do medicamento na rotina, além de reduzir o estigma e a discriminação ligados ao uso diário de comprimidos. As enormes e diversas necessidades e circunstâncias das pessoas mais expostas ao HIV demonstram que nenhuma abordagem de prevenção única será adequada para todas as pessoas. Preservativos, por exemplo, funcionam bem para algumas, mas não para outras. A PrEP oral exige o estabelecimento de uma rotina que algumas pessoas acham difícil de aderir.
Apesar dos avanços, o acesso ao medicamento no Brasil enfrenta barreiras, uma vez que nos acordos estabelecidos para as versões genéricas, o país, assim como outros países da América Latina, não estão contemplados nos acordos estabelecidos pela farmacêutica Gilead.
Mapa da distribuição de países da América Latina, segundo acordo com a farmacêutica Gilead.
“É preciso mobilizar a sociedade brasileira para exigir a incorporação do lenacapavir a preços justos e acessíveis ao SUS. Este webinar é um passo neste sentido. O Brasil é um dos sítios onde os estudos clínicos do LEN são desenvolvidos. No entanto, o nosso país está excluído das licenças voluntárias que a empresa detentora da patente concedeu para diferentes países do Sul Global”, ressalta Veriano Terto, vice-presidente da ABIA. “Esta decisão precisa ser debatida, pois ainda não sabemos o quanto o medicamento vai custar no Brasil. São vidas que estão em jogo e não podemos deixar que interesses puramente comerciais se sobreponham à vida e à saúde pública. É preciso que o Brasil conheça mais sobre este importante medicamento e suas possíveis formas de acesso. E para tanto, precisamos nos informar, debater, participar de forma coletiva e solidária”, finaliza.
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