Estados-membros das Nações Unidas enfatizam que esforços críticos devem ser ampliados para acabar com a AIDS

No meio do caminho rumo aos 10 Compromissos de Aceleração da Resposta até 2020, acordados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2016, os Estados-membros se reuniram para avaliar o progresso da resposta ao HIV. Reunidos na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, os Estados-membros apresentaram os avanços e desafios de seus países e ouviram o Secretário-Geral das Nações Unidas, que apresentou seu relatório sobre a resposta global ao HIV.

O Presidente da Assembleia Geral, Miroslav Lajčák, abriu a reunião. “Não podemos esquecer que o que estamos fazendo hoje está vinculado a nossas outras metas e objetivos,” disse ele. “Podemos usar a reunião de hoje para explorar oportunidades de novas ações. Vamos continuar. Vamos continuar lutando contra esse vírus—e o estigma que vem com ele.”

O Secretário-Geral das Nações Unidas apresentou seu relatório, Potencializando a Resposta à AIDS para a Reforma das Nações Unidas e a Saúde Global, e disse: “O mundo está fazendo bons avanços para acabar com a epidemia de AIDS até 2030, mas o progresso é desigual e frágil. Neste momento crucial, devemos renovar nosso foco e nosso compromisso compartilhado para um mundo livre da AIDS.”

O relatório mostra que a ampliação exponencial da terapia antirretroviral alcançou mais da metade de todas as pessoas vivendo com HIV, o que, por sua vez, contribuiu para reduzir um terço das mortes relacionadas à AIDS, de 1,5 milhão em 2010 para 1 milhão em 2016. O relatório também aponta o progresso em evitar novas infecções por HIV entre crianças e destaca que a eliminação da transmissão vertical do HIV é possível se o mundo continuar focado.

O Diretor Executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, participou da reunião plenária. Ele disse: “Estamos em um momento crítico no caminho para acabar com a AIDS. Precisamos nos unir e usar nossa força coletiva para empurrar o HIV para um declínio permanente.”

Mais de 30 Estados-membros informaram sobre o progresso em seus países, muitos expressaram seu agradecimento e apoio ao trabalho do UNAIDS e do Programa Conjunto, ao mesmo tempo em que reiteram seus compromissos de atingir as metas da Declaração Política de 2016 das Nações Unidas sobre o Fim da AIDS.

“Os Estados Unidos apoiam fortemente o UNAIDS e sua liderança no combate à pandemia de HIV/AIDS,” disse Deborah Birx, Coordenadora Global de AIDS e Representante Especial dos EUA em Diplomacia para Saúde Global. “O foco do UNAIDS em produzir a mais extensa coleta de dados sobre a epidemia de HIV continua fundamentalmente importante e é o nosso roteiro para controlar esta pandemia. Não podemos alcançar as metas para acabar com a epidemia de AIDS até 2030 sem os dados corretos para rastrear nosso progresso, identificar nossas necessidades e direcionar recursos de forma eficaz e eficiente para o impacto máximo.”

O relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas mostra que, enquanto o número de pessoas que têm acesso ao tratamento quase triplicou de 2010 a junho de 2017, de 7,7 milhões de pessoas para 20,9 milhões, 15,8 milhões ainda precisam de tratamento, e o progresso na expansão do acesso ao tratamento para crianças é particularmente lento. Apenas 43% das crianças vivendo com HIV tiveram acesso ao tratamento em 2016.

O relatório também destaca que ações novas são necessárias para impedir as novas infecções por HIV. O número de novas infecções diminuiu 18% de 2010 a 2016, de 2,2 milhões para 1,8 milhão, mas, para atingir a meta de menos de 500 mil novas infecções até 2020, os esforços de prevenção do HIV devem ser intensificados significativamente, particularmente entre as populações sob maior risco, um sentimento ecoado por muitos dos oradores na reunião plenária.

Lazarus O. Amayo, Representante Permanente do Quênia nas Nações Unidas, falou em nome do Grupo Africano. “Ainda há muito a ser feito, a AIDS continua afetando desproporcionalmente a África Subsaariana, com o risco do número de novas infecções por HIV permanecer excepcionalmente alto entre mulheres jovens nas regiões orientais e austrais da África,” disse ele. “Reiteramos a necessidade de uma abordagem abrangente, universal e integrada ao HIV e à AIDS, assim como de investimentos para isso.” Na África Oriental e Austral, jovens mulheres entre 15 e 24 anos representam 26% das novas infecções pelo HIV, apesar de constituírem apenas 10% da população.

O relatório mostra que ainda há muito trabalho a ser feito para alcançar as metas da Declaração Política de 2016 da ONU sobre o Fim da AIDS, incluindo a eliminação do déficit de US$ 7 bilhões em financiamento para a resposta à AIDS. Além disso, também estabelece cinco fortes recomendações para levar os países ao caminho certo, incluindo a mobilização para a testagem revolucionadora do HIV, protegendo os direitos humanos e promovendo a igualdade de gênero e usando o Roteiro de Prevenção do HIV até 2020 para acelerar a redução de novas infecções.

Em 2016 (*junho de 2017), estima-se que:

  • *20,9 milhões [18,4 milhões – 21,7 milhões] de pessoas tiveram acesso à terapia antirretroviral
  • 36,7 milhões [30,8 milhões – 42,9 milhões] de pessoas em todo o mundo viviam com HIV
  • 1,8 milhão [1,6 milhão – 2,1 milhões] de novas infecções pelo HIV em 2016
  • 1 milhão [830.000 – 1.2 milhão] de pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS

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