Estatísticas

1. Fonte: Relatórios mais recentes do UNAIDS

1.1 Resumo global da epidemia de AIDS

Em junho de 2016, no mundo todo cerca de 18,2 milhões [16,1 milhões-19,0 milhões] de pessoas tiveram acesso ao tratamento antirretroviral, incluindo 910.000 crianças, o dobro do número registrado cinco anos atrás.

O relatório Get on the Fast-Track: the life-cycle approach to HIV (traduzido livremente para Entre na via rápida: acelerando a resposta ao HIV com enfoque na abordagem do ciclo de vida) mostra que o impacto do tratamento no aumento da expectativa de vida está funcionando. Em 2015, havia mais pessoas acima de 50 anos vivendo com HIV do que nunca: 5,8 milhões.

O documento, com enfoque na abordagem do ciclo de vida, descreve que um grande número de pessoas em maior risco de infecção pelo HIV e pessoas que vivem em áreas com alta incidência estão ficando sem acesso aos serviços de HIV em momentos críticos de suas vidas, abrindo a porta para novas infecções pelo vírus e aumentando o risco de morte por doenças relacionadas à AIDS.

  • Número de pessoas vivendo com HIV no mundo:
    • Adultos: 34,9 milhões [32,4 milhões-37,9 milhões]
    • Mulheres: 17,8 milhões [16,4 milhões-19,4 milhões]
    • Crianças: (<15 anos) 1,8 milhão [1,5 milhão-2,0 milhões]
    • Total: 36,7 milhões [34,0 milhões-39,8 milhões]
  • Número de novas infecções por HIV
    • Adultos: 1,9 milhão [1,7 milhão-2,2 milhões]
    • Crianças (<15 anos): 150.000 [110.000-190.000]
    • Total: 2,1 milhões [1,8 milhão-2,4 milhões]
  • Mortes relacionadas à AIDS
    • Adultos: 1,0 milhão [840.000-1,2 milhão]
    • Crianças (<15 anos): 110.000 [84.000-130.000]
    • Total: 1,1 milhão [940.000-1,3 milhão]
  • Número de pessoas em tratamento para o HIV
    • Total: *18,2 milhões [16,1 milhões-19,0 milhões]

(dado de junho de 2016)

1.2. Transmissão do HIV de mãe para filho (transmissão vertical)

Os riscos de infecção enfrentados pelo feto de uma mãe vivendo com HIV são minimizados quando os diagnósticos disponíveis e medicamentos antirretrovirais são utilizados no tempo correto.

Globalmente, o acesso a medicamentos contra o HIV para prevenir a transmissão do vírus de mãe para filho aumentou para 77% em 2015 (acima dos 50% registrados em 2010). Como resultado, as novas infecções por HIV entre crianças diminuíram 51% desde 2010.

1.3. Epidemia entre jovens

Os riscos de HIV entre adolescentes e jovens são maiores quando a transição de idade ocorre em ambientes desafiadores, com acesso insuficiente a alimentos, educação e moradia e com altas taxas de violência. Percepções de baixo risco de infecção, uso insuficiente do preservativo e baixas taxas de testagem de HIV persistem entre os jovens.

Dados epidemiológicos do UNAIDS de 25 países mostra que o número total de pessoas com idades entre 15-19 anos vivendo com HIV nestes países cresceu de aproximadamente 800.000 em 2005 para 940.000 em 2015.

As medidas de proteção social e a inserção de adolescentes e jovens no ambiente escolar e no mercado de trabalho diminuem a vulnerabilidade para o HIV. As escolas representam o espaço mais conveniente para a educação sexual abrangente, que fornece aos adolescentes e jovens o conhecimento e as habilidades necessárias para fazer escolhas conscientes, saudáveis ​​e respeitosas sobre relacionamentos e sexualidade.
A agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável tem o objetivo de melhorar as oportunidades para jovens através de maior acesso a educação de qualidade, serviços de saúde e oportunidades de emprego, e através da igualdade de gênero e empoderamento de meninas e mulheres. O empoderamento de jovens é um componente fundamental da resposta à AIDS.

Das 5.700 novas infecções por HIV em 2015, 35% ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos

1.4. Epidemia entre populações-chave

Os membros das populações-chave, incluindo profissionais do sexo, pessoas que injetam drogas, pessoas trans, pessoas privadas de liberdade e gays e outros homens que fazem sexo com homens, e seus parceiros sexuais representaram 45% de todas as novas infecções por HIV em 2015.

O relatório alerta que novas infecções por HIV continuam a aumentar entre as pessoas que usam drogas injetáveis (cerca de 36% de 2010 a 2015) e entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (cerca de 12% de 2010 a 2015). Além disso, as novas infecções tampouco estão declinando entre profissionais do sexo ou pessoas trans.

A criminalização e a estigmatização das relações homossexuais, do trabalho sexual e da posse e utilização de drogas e a discriminação, incluindo no setor da saúde, impedem que populações-chave acessem os serviços de prevenção ao HIV. Apoio governamental eficaz e programas de prevenção e tratamento de base comunitária implementados que fornecem serviços personalizados para cada grupo são atualmente muito escassos e muito pequenos para gerar em uma redução significativa em novas infecções.

O relatório publicado em dezembro de 2016 descreve a necessidade crítica de alcançar as populações-chave com programas de prevenção e tratamento do HIV que atendam suas necessidades específicas ao longo de suas vidas; no entanto, os níveis totais de financiamento estão muito abaixo do necessário para que os programas de HIV cheguem às essas populações, particularmente o financiamento vindo de fontes domésticas.

1.5. Epidemia entre mulheres

Durante a adolescência, o risco de HIV é consideravelmente maior entre meninas, especialmente em arranjos de alta prevalência como a África oriental e austral. Medidas de proteção social e manter adolescentes na escola reduz os riscos para o HIV. Escolas são o veículo mais conveniente para a educação sexual abrangente, que fornece aos adolescentes e jovens conhecimentos e habilidades necessárias para fazer escolhas conscientes, saudáveis e respeitosas sobre relacionamentos e sexualidade.

Novos dados da África do Sul revelam um ciclo vicioso de infecção pelo HIV entre pessoas mais jovens e mais velhas que pode estar em jogo em muitas configurações de alta prevalência: jovens mulheres estão contraindo HIV de homens adultos – na medida em que as mulheres ficam mais velhas, elas tendem a transmitir o HIV para homens adultos, e o ciclo se repete. Dados de outros estudos sugerem que desigualdades de gênero e masculinidades nocivas sustentam esse ciclo. Baixo acesso à educação, baixos níveis de independência econômica e violência nas relações íntimas corroem a habilidade de jovens mulheres de negociar sexo seguro e manter o controle dos seus corpos.
Novas infecções entre mulheres de 15-24 anos caíram apenas 6% entre 2010 e 2015, enquanto a taxa de novas infecções por HIV entre homens e mulheres de 25-49 anos está essencialmente estável.

Veja como estamos globalmente em relação às metas traçadas pelo UNAIDS até 2020:

1.6 Dados do UNAIDS sobre a epidemia de AIDS no Brasil

Veja abaixo as principais informações sobre o HIV no Brasil contidas no relatório mais recente do UNAIDS –  Lacunas na Prevenção – lançado em julho de 2016.

Por ser o país mais populoso da América Latina, o Brasil é também o que mais concentra casos de novas infecções por HIV na região. O país responde por 40% das novas infecções – segundo estimativas mais recentes do UNAIDS -, enquanto Argentina, Venezuela, Colômbia, Cuba, Guatemala, México e Peru respondem por outros 41% desses casos.

Estimativas sobre HIV e AIDS para o Brasil (2015)

  • Em 2015, havia 830.000 [610.000 – 1.100.000] pessoas vivendo com HIV;
  • Em 2015, estima-se que tenham ocorrido 44.000 [32.000 – 59.000] novas infecções pelo HIV;
  • O número de mortes relacionadas à AIDS no Brasil foi estimada pelo UNAIDS em 15.000 [11.000 – 21.000] em 2015.
  • O dado mais recente sobre prevalência de HIV estimada para o Brasil em relatórios do UNAIDS é de 0,4% a 0,7% em pessoas de 15 a 49 anos – em 2014.

 

2. Fonte: dados mais recentes do Ministério da Saúde do Brasil

2.1 Resumo da epidemia de AIDS no Brasil

O Brasil foi um dos primeiros países, dentre os de baixa e média renda a fornecer tratamento gratuito para pessoas que viviam com AIDS – em 1996 pelo Serviço Único de Saúde (SUS). Enquanto isso, a maioria desses países aguardava financiamento internacional para suas respostas.

O Brasil adotou em 2013 novas estratégias para frear a epidemia de AIDS, oferecendo tratamento a todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente de seu estado imunológico (contagem de CD4). Além disso, o país vem simplificando e descentralizando o tratamento antirretroviral; aumentando a cobertura de testagem para  HIV em populações-chave, entre outras iniciativas.

O Brasil hoje tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de baixa e média renda, com mais da metade (64%) das pessoas vivendo com HIV recebendo TARV – segundo os dados mais atuais do Ministério da Saúde – , enquanto a média global em 2015 foi de 46% – segundo dados compilados pelo UNAIDS.

O gráfico abaixo mostra a cascata de cuidado contínuo no Brasil. Ela estabelece a linha de base e permite avaliar o progresso brasileiro rumo às metas de tratamento 90-90-90, estabelecidas pelo UNAIDS – que até 2020: 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; destas, que 90% estejam em tratamento; e que, das pessoas em tratamento, 90% apresentem carga viral indetectável). Essas metas fazem parte da estratégia de Aceleração da Resposta para o fim da epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.

Na cascata brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde, observa-se que do total de pessoas vivendo com HIV, 87% já foram diagnosticadas. Deste número, 64% estão em tratamento para o HIV. Das pessoas em tratamento, cerca de 90% apresentam carga viral indetectável.

Em relação ao total de pessoas estimadas vivendo com HIV, também segundo o Ministério da Saúde, 87% estão diagnosticadas, 55% do total estão em tratamento e 50% de todas as pessoas estimadas vivendo com HIV estão com carga viral suprimida – os dados são de 2015.

2.2. Transmissão do HIV de mãe para filho (transmissão vertical)

No Brasil, a taxa de detecção de aids em menores de cinco anos tem sido utilizada como indicador proxy para monitoramento da transmissão vertical do HIV.
Nos últimos seis anos, houve uma queda de 36% nos casos de HIV/aids em menores de 5, o que indica indica diminuição na transmissão da mãe para o filho.

2.3. Epidemia entre jovens

De acordo com dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o crescimento de AIDS na juventude (15 a 24 anos) continua sendo uma preocupação importante e as ações nesse segmento tem de ser intensificadas.

De 2006 a 2015 a taxa de detecção de casos de AIDS entre jovens do sexo masculino com 15 a 19 anos quase que triplicou (de 2,4 para 6,9 casos por 100 mil habitantes) e entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa mais do que dobrou (de 15,9 para 33,1 casos por 100 mil habitantes).

2.4 Epidemia entre populações-chave

Algumas populações são mais afetadas que outras. Enquanto as estimativas mostram que  0,39% da população geral esteja vivendo com HIV no Brasil – dado referente ao Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS de 2015 -, entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), essa prevalência  cresce para 10,5% – segundo os últimos dados reportados pelo Brasil e como mostra o gráfico abaixo.

Ainda segundo dados do Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS de 2016, existe uma tendência de aumento na proporção de casos de AIDS em homens que fazem sexo com homens (HSH) nos últimos dez anos, a qual passou de 35,3% em 2006 para 45,4% em 2015. Outras populações afetadas no Brasil são as pessoas que usam drogas e profissionais do sexo.

Taxas de prevalência de AIDS em populações-chave. Brasil, 2009 – 2013

2.5 Epidemia entre mulheres

A redução gradual no número de casos entre mulheres e o aumento do número de casos entre homens refletiu-se na razão entre os sexos para os casos de AIDS no Brasil. Em 2006, para cada 1 caso em mulher, havia 1,2 casos em homem. Em 2015 essa razão é de 1 caso em mulher para cada 3 casos em homens.