Estatísticas

1. Fonte: Relatórios mais recentes do UNAIDS

1.1 Resumo global da epidemia de AIDS

 

O relatório do UNAIDS Acabando com a AIDS: progresso rumo às metas 90–90–90 mostra que, pela primeira vez, o jogo virou: mais da metade de todas as pessoas que vivem com HIV no mundo (53%) agora têm acesso ao tratamento do HIV. Além disso, as mortes relacionadas à AIDS caíram quase pela metade desde 2005.

O relatório fornece também uma análise detalhada dos avanços e desafios para alcançar as metas de tratamento 90–90– 90. Os objetivos foram lançados em 2014 para acelerar o progresso na resposta ao HIV, de modo que, até 2020, 90% de todas as pessoas vivendo com HIV conheçam seu estado sorológico positivo para o vírus, 90% de todas essas pessoas diagnosticadas com HIV tenham acesso ao tratamento antirretroviral, e que 90% de todas as pessoas em tratamento tenham carga viral indetectável.

 

1.2. Transmissão do HIV de mãe para filho (transmissão vertical)

Os riscos de infecção enfrentados pelo feto de uma mãe vivendo com HIV são minimizados quando os diagnósticos disponíveis e medicamentos antirretrovirais são utilizados no tempo correto.

Globalmente, o acesso a medicamentos contra o HIV para prevenir a transmissão do vírus de mãe para filho aumentou para 76% em 2016 (acima dos 47% registrados em 2010). Como resultado, as novas infecções por HIV entre crianças diminuíram 47% desde 2010.

1.3. Epidemia entre jovens

Os riscos de HIV entre adolescentes e jovens são maiores quando a transição de idade ocorre em ambientes desafiadores, com acesso insuficiente a alimentos, educação e moradia e com altas taxas de violência. Percepções de baixo risco de infecção, uso insuficiente do preservativo e baixas taxas de testagem de HIV persistem entre os jovens.

Apesar das taxas de informação sobre o HIV terem aumentado, apenas 36% de homens jovens e 30% de mulheres jovens (entre 15-24 anos) tinha um conhecimento abrangente e correto sobre como prevenir o HIV nos 37 países com dados disponíveis para o período de 2011 e 2016.

Das 4.500 novas infecções por HIV em adultos em 2016, 35% ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos

1.4. Epidemia entre populações-chave

Em países com epidemias concentradas, a maioria das infecções por HIV ocorre entre as populações-chave – pessoas que injetam drogas, profissionais do sexo, pessoas transgêneros, pessoas privadas de liberdade, homens gays e outros homens que fazem sexo com homens e seus parceiros sexuais. Fora da África Subsaariana, populações-chave e seus parceiros sexuais representaram 80% das novas infecções por HIV em 2015. Mesmo na África subsaariana, as populações-chave e seus parceiros sexuais são uma parte importante da epidemia de HIV: em 2015, 25% das novas infecções ocorreram entre esse grupo, sublinhando a importância de alcançá-los com serviços.

Globalmente, os homens gays e outros homens que fazem sexo com homens representaram 12% das novas infecções em 2015, enquanto profissionais do sexo e pessoas que usam drogas injetáveis representaram 5% e 8% das novas infecções, respectivamente. Além disso, os dados relatados por países em todo o mundo mostram que a prevalência do HIV entre as populações-chave é muitas vezes maior do que a população geral.

A criminalização e a estigmatização das relações homossexuais, do trabalho sexual e da posse e utilização de drogas e a discriminação, incluindo no setor da saúde, impedem que populações-chave acessem os serviços de prevenção ao HIV. Quase três quartos dos países relatados (84 de 110) criminalizaram algum aspecto do trabalho sexual em 2016, enquanto a posse ou uso de narcóticos foram criminalizados em 78 países. Dez países mantiveram a pena de morte para as pessoas condenadas por delitos relacionados a drogas e outros 10 países relataram que a posse de uma agulha ou seringa sem receita médica poderia ser usada como evidência de uso de drogas ou causa de prisão.

Em 2016, 44% dos países relatados (44 de 100) criminalizaram as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, com algumas jurisdições que permitem penas muito duras: dois países com pena de morte e cinco outros países com uma pena de prisão mínima de 14 anos. Nos últimos anos tem ocorrido um acentuado aumento da legislação anti-gay em diversos países.

1.5. Epidemia entre mulheres

Em contextos de alta prevalência, as mulheres jovens continuam a ter um risco inaceitavelmente elevado de infecção pelo HIV. Na África Oriental e Austral, por exemplo, mulheres jovens (com idades entre 15 e 24 anos) representam 26% das novas infecções por HIV em 2016, apesar de serem apenas 10% da população. As mulheres jovens (de 15 a 24 anos) na África Ocidental e Central e no Caribe representaram, respectivamente, 22% e 17% das novas infecções por HIV em 2016.

Durante décadas, a desigualdade de gênero, a discriminação e a violência colocaram mulheres, meninas e
populações-chave em situações de maior risco de infecção por HIV e prejudicaram seu acesso aos benefícios dos serviços de saúde para o HIV. A violência – ou o medo da violência – impede que as mulheres insistam em sexo seguro e se beneficiem de prevenção, teste e tratamento para o HIV, além de intervenções e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Em algumas regiões, as mulheres que são sujeitas à violência de parceiros íntimos são, em média, 1,5 vezes mais propensas à infecção por HIV. A violência contra as mulheres também está associada à adesão enfraquecida da Profilaxia Pós-exposição (PEP), Profilaxia Pré-exposição (PrEP) e tratamento contra o HIV – inclusive para mulheres grávidas – além de estar associada a resultados clínicos ruins para mulheres em tratamento antirretroviral.

Desde 2010, as novas infecções entre mulheres jovens em todo o mundo (de 15 a 24 anos) diminuíram 17%, chegando a 360.000 [210.000-470.000] em 2016.

Apesar de 51% das pessoas vivendo com HIV em todo o mundo serem mulheres, a maior cobertura de tratamento e uma melhor adesão entre as mulheres impulsionaram declínios mais rápidos nas mortes relacionadas à AIDS entre as mulheres: as mortes por doenças relacionadas à AIDS foram 27% menores entre as mulheres e meninas em 2016 do que entre homens e meninos.

1.6 Dados do UNAIDS sobre a epidemia de AIDS no Brasil

Veja abaixo as principais informações sobre o HIV no Brasil contidas no relatório mais recente do UNAIDS – lançado em junho de 2017.

O Brasil é o país mais populoso da América Latina e também o que mais concentra casos de novas infecções por HIV na região. O país responde por 49% das novas infecções – segundo estimativas mais recentes do UNAIDS -, enquanto o México responde por 13% das novas infecções.

Estimativas sobre HIV e AIDS para o Brasil (2016):

  • Em 2016, havia 830.000 [610.000 – 1.100.000] pessoas vivendo com HIV;
  • Em 2016, estima-se que tenham ocorrido 48.000 [35.000 – 64.000] novas infecções pelo HIV;
  • O número de mortes relacionadas à AIDS no Brasil foi estimada pelo UNAIDS em 14.000 [9.700 – 19.000] em 2016.
  • O dado mais recente sobre prevalência de HIV estimada para o Brasil em relatórios do UNAIDS é de 0,4% a 0,7% em pessoas de 15 a 49 anos – em 2014.

 

2. Fonte: dados mais recentes do Ministério da Saúde do Brasil

2.1 Resumo da epidemia de AIDS no Brasil

O Brasil foi um dos primeiros países, dentre os de baixa e média renda a fornecer tratamento gratuito para pessoas que viviam com AIDS – em 1996 pelo Serviço Único de Saúde (SUS). Enquanto isso, a maioria desses países aguardava financiamento internacional para suas respostas.

O Brasil adotou em 2013 novas estratégias para frear a epidemia de AIDS, oferecendo tratamento a todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente de seu estado imunológico (contagem de CD4). Além disso, o país vem simplificando e descentralizando o tratamento antirretroviral; aumentando a cobertura de testagem para HIV em populações-chave, entre outras iniciativas.

O Brasil hoje tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de baixa e média renda, com mais da metade (64%) das pessoas vivendo com HIV recebendo TARV – segundo os dados mais atuais do Ministério da Saúde – , enquanto a média global em 2016 foi de 53% – segundo dados compilados pelo UNAIDS.

O gráfico abaixo mostra a cascata de cuidado contínuo no Brasil. Ela estabelece a linha de base e permite avaliar o progresso brasileiro rumo às metas de tratamento 90-90-90, estabelecidas pelo UNAIDS – que até 2020: 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; destas, que 90% estejam em tratamento; e que, das pessoas em tratamento, 90% apresentem carga viral indetectável). Essas metas fazem parte da estratégia de Aceleração da Resposta para o fim da epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.

Na cascata brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde, observa-se que do total de pessoas vivendo com HIV, 87% já foram diagnosticadas. Deste número, 64% estão em tratamento para o HIV. Das pessoas em tratamento, cerca de 90% apresentam carga viral indetectável.

Em relação ao total de pessoas estimadas vivendo com HIV, também segundo o Ministério da Saúde, 87% estão diagnosticadas, 55% do total estão em tratamento e 50% de todas as pessoas estimadas vivendo com HIV estão com carga viral suprimida – os dados são de 2016.

2.2. Transmissão do HIV de mãe para filho (transmissão vertical)

No Brasil, a taxa de detecção de AIDS em menores de cinco anos tem sido utilizada como indicador proxy para monitoramento da transmissão vertical do HIV. Nos últimos seis anos, houve uma queda de 36% nos casos de HIV/aids em menores de 5, o que indica indica diminuição na transmissão da mãe para o filho

2.3. Epidemia entre jovens

De acordo com dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o crescimento de AIDS na juventude (15 a 24 anos) continua sendo uma preocupação importante e as ações nesse segmento tem de ser intensificadas.

De 2006 a 2015 a taxa de detecção de casos de AIDS entre jovens do sexo masculino com 15 a 19 anos quase que triplicou (de 2,4 para 6,9 casos por 100 mil habitantes) e entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa mais do que dobrou (de 15,9 para 33,1 casos por 100 mil habitantes).

2.4 Epidemia entre populações-chave

Algumas populações são mais afetadas que outras. Enquanto as estimativas mostram que 0,39% da população geral esteja vivendo com HIV no Brasil – dado referente ao Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS de 2015 -, entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), essa prevalência cresce para 10,5% – segundo os últimos dados reportados pelo Brasil e como mostra o gráfico abaixo.

Ainda segundo dados do Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS de 2016, existe uma tendência de aumento na proporção de casos de AIDS em homens que fazem sexo com homens (HSH) nos últimos dez anos, a qual passou de 35,3% em 2006 para 45,4% em 2015. Outras populações afetadas no Brasil são as pessoas que usam drogas e profissionais do sexo.

Taxas de prevalência de AIDS em populações-chave. Brasil, 2009 – 2013

2.5 Epidemia entre mulheres

A redução gradual no número de casos entre mulheres e o aumento do número de casos entre homens refletiu-se na razão entre os sexos para os casos de AIDS no Brasil. Em 2006, para cada 1 caso em mulher, havia 1,2 casos em homem. Em 2015 essa razão é de 1 caso em mulher para cada 3 casos em homens.