O Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV e AIDS é uma ferramenta utilizada para detectar e medir mudança de tendências em relação ao estigma e à discriminação relacionados ao HIV a partir da perspectiva das pessoas vivendo com HIV e AIDS.
Os países que implementam o Índice de Estigma apresentam os resultados e fornecem recomendações baseadas em evidências sobre o estigma e a discriminação relacionados ao HIV e vivenciados por pessoas que vivem com HIV (PVHA).
Colocar as pessoas no centro do processo é o princípio da implementação do Índice de Estigma, pois elas conduzem como o estudo é projetado, como as informações são coletadas, analisadas e utilizadas.
Quatro pilares orientam o Índice de Estigma. São eles:
Desenvolvimento de capacidades
Da rede líder – no Brasil, um consórcio de redes nacionais de pessoas vivendo com HIV -, é esperada para guiar todo o processo de implementação, mas não é deixada para fazer isso sozinha. É incentivada a trabalhar em colaboração com parcerias no país (como institutos de pesquisa) e a assistência técnica está disponível em cada etapa do caminho pela Parceria Internacional.
Responsabilidade e propriedade
O Índice de Estigma centra-se no princípio GIPA, a Maior Participação de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS. As pessoas vivendo com HIV não são apenas os entrevistadores e participantes, mas todo o processo de design e implementação da pesquisa é liderado por e para pessoas vivendo com HIV. Redes locais de pessoas vivendo com HIV decidem por si mesmas se gostariam de conduzir um Índice de Estigma em seu país e as experiências e conhecimentos das pessoas vivendo com HIV estão no centro de todo o processo.
Abraçando a igualdade e a diversidade
Todos as partes envolvidas no processo de implementação devem trabalhar proativamente para garantir a igualdade de gênero e abraçar a diversidade que existe entre toda a comunidade de pessoas vivendo com HIV, incluindo populações-chave vivendo com HIV (homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas).
Os dados coletados por meio do Índice de Estigma permitem que uma leitura sobre o estigma e a discriminação no país surja. Também fornece evidências para um advocacy para moldar e direcionar mudanças políticas e programáticas na busca de por fim com o estigma e a discriminação relacionados ao HIV.
Em 2024, iniciou a segunda edição do Índice de Estigma com a publicação de um edital que selecionou 35 pessoas que vivem com HIV para realizar entrevistas em sete capitais brasileiras: Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
O processo durou cerca de quatro meses e entrevistou cerca de 1.275 pessoas, distribuidas geograficamente da seguinte forma:

Dados do estudo de 2025 mostram que 52,9% das pessoas que vivem com HIV no Brasil já vivenciaram algum tipo de discriminação ao longo da vida e 38,8% relataram fofocas ou algum tipo de comentário discriminatório por familiares.
O relatório Índice de Estigma 2025 revela violações graves dos direitos humanos enfrentadas por pessoas vivendo com HIV (PVHA) no Brasil, incluindo discriminação institucional, quebra de sigilo, coerção em serviços de saúde e violência física. Essas violações não apenas ferem a dignidade das pessoas que vivem com HIV, mas também criam barreiras ao tratamento e à prevenção do HIV.
Abaixo, algumas informações sobre violações de direitos.
Quebra de Sigilo e Exposição Não Consentida
“Meu ex-companheiro espalhou cartas para vizinhos contando que eu tinha HIV.”
(Mulher cis, Rio de Janeiro)
Sobre exposição não consentida, 6,6% das PVHA que responderam ao estudo tiveram sua sorologia divulgada publicamente sem consentimento.
Discriminação Em Serviços de Saúde
“A enfermeira não quis me atender no posto, dizendo que eu tinha HIV.”
(Travesti, Porto Alegre)
Em relação a este tópico,
Outros dados sobre barreiras ao acesso a cuidados sobre HIV.
“No abrigo pós-enchente, disseram que travesti não podia ficar lá.“
(Travesti, Porto Alegre)
Eventos climáticos extremos está, pela primeira vez, presente no Índice de Estigma 2025. Sobre este tema, cerca de 23% das pessoas responderam que houve alguma dificuldade em ter acesso à medicamentos antirretrovirais (ver esses e outros dados abaixo).
O medo de reações negativas também influencia decisões importantes: 22,8% evitaram fazer o teste de HIV por receio da reação de outras pessoas, enquanto 8,5% deixaram de procurar serviços de saúde após vivenciarem situações de preconceito. Esses dados revelam como o estigma ainda é uma barreira concreta ao cuidado, à prevenção e ao bem-estar.
A saúde mental é impactada diretamente em situações de estigma e discriminação. Sobre este tema, 29,1% responderam que, após o diagnóstico, apresentaram sintomas de depressão, e, em relação a ansiedade, o percentual foi de cerca de 41%.
Estigma e Discriminação em Populações-chave
“Ser mulher preta com HIV é enfrentar três recortes de violência: gênero, raça e sorologia.“
(Mulher cis, Recife)
O Índice de Estigma 2025 mostra que estigma e discriminação é algo presente na vida das pessoas que vivem com HIV, porém, em algumas populações, eles são sentidos de forma mais profunda.
Entre os grupos mais vulneráveis estão:
Pessoas Trans e Travestis
Profissionais do Sexo
Todos os números e dados apresentados no Índice de Estigma 2025 representam histórias reais de pessoas que vivem com HIV em diferentes regiões do Brasil. Esse conjunto detalhado de informações, apresentado por meio de gráficos e tabelas, reforça a importância da busca por justiça social plena, fundamental para que a resposta ao HIV seja rápida e eficaz.
O Brasil alcançou, em 2020, a primeira meta 95 — na qual 95% das pessoas vivendo com HIV devem conhecer seu diagnóstico —, e, em 2024, atingiu a terceira meta 95 — referente à supressão da carga viral em 95% das pessoas em tratamento.
A meta ainda não alcançada — garantir que 95% das pessoas diagnosticadas estejam em tratamento — está diretamente relacionada a determinantes sociais. Sem enfrentar o estigma e a discriminação que afastam muitas pessoas dos serviços de saúde, essa meta continuará fora de alcance.
O QUE É ESTIGMA PARA VOCÊ?
Representantes do consórcio nacional de pessoas vivendo com HIV, sociedade civil e pessoas pesquisadoras que participaram da do Índice de Estigma 2025 gravaram um vídeo onde responderam a seguinte pergunta: “O que é o estigma?”
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