Lançada mundialmente em 2013, e celebrado sempre em 1o de março, a iniciativa Zero Discriminação celebra o direito das pessoas a uma vida plena e produtiva com dignidade – não importando sua origem, orientação sexual, identidade de gênero, sorologia para o HIV ou raça e etnia.
A borboleta
, símbolo de um processo de transformação, representa o compromisso em assumir um comportamento aberto à diversidade e à tolerância. Liderada por Aung San Suu Kyi, porta-voz do UNAIDS para a Zero Discriminação e vencedora do prêmio Nobel da Paz, a iniciativa consagrou o 1º de março como Dia de Zero Discriminação.
Em 2026, o UNAIDS lança visibilidade sobre a discriminação enfrentada por pessoas mais expostas ao HIV e as que vivem com HIV, uma discriminação que compromete o acesso aos serviços de saúde, viola direitos e atrasa o progresso rumo ao fim da AIDS até 2030. O Dia de Zero Discriminação deste ano destaca a necessidade de colocar as pessoas em primeiro lugar.
As evidências são nítidas: o estigma e a discriminação relacionados ao HIV colocam vidas em risco. Com base em dados de mais de 30 mil pessoas vivendo com HIV em 25 países, o estigma e a discriminação continuam sendo barreiras generalizadas ao acesso à saúde, à dignidade e aos direitos humanos.
Globalmente, de acordo com o Relatório Global do Índice de Estigma das Pessoas Vivendo com HIV 2.0, quase uma em cada quatro pessoas relata ter sido estigmatizada por outras, inclusive em serviços de saúde, onde a discriminação compromete a confiança e o acesso a serviços que salvam vidas.
Além disso, 85% das pessoas vivendo com HIV relatam sentir estigma internalizado, e muitas mudam seu comportamento — escondendo seu status sorológico ou interrompendo o tratamento — por medo de rejeição e julgamento. Esses achados confirmam que o estigma relacionado ao HIV não é uma questão secundária; é uma barreira para acabar com a AIDS até 2030.
No Brasil, dados publicados no Índice de Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV, lançado em 2025, revelam que a discriminação também persiste na sociedade brasileira. Algumas dessas barreiras discriminatórias são:
Fonte: Índice Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV | Brasil, 2025
Esses dados reforçam que, no Brasil, o estigma e a discriminação continuam a afetar não apenas o acesso a direitos, mas também as áreas emocionais, a vida comunitária e a permanência no tratamento.
Para mulheres e meninas que vivem com e são afetadas pelo HIV, as desigualdades de gênero se somam ao estigma e à discriminação relacionados ao HIV. A coerção reprodutiva, os maus-tratos e os abusos são manifestações persistentes e generalizadas de estigma e discriminação ao longo de toda a prestação de serviços de saúde.
Uma análise de dados coletados de 26.502 mulheres vivendo com HIV em 23 países, que recentemente concluíram o Índice de Estigma 2.0, revelou que, em todos os países analisados, mulheres vivendo com HIV relataram terem sido forçadas a fazer alguma atividade que não queriam nos últimos 12 meses. O estigma e a discriminação interseccionais também impactam sua experiência com outros serviços, bem como a vida comunitária e doméstica, além do acesso à justiça e à reparação.
Além disso, o estigma e a discriminação relacionados ao HIV se combinam com normas e desigualdades de gênero para impor às mulheres e meninas uma pesada carga de cuidados não reconhecidos e não remunerados.
A discriminação continua à medida que:
À medida que o mundo trabalha para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, não teremos sucesso se a discriminação continuar sendo um obstáculo.
O Dia de Zero Discriminação destaca como nós, em conjunto, podemos nos informar e promover inclusão, compaixão, paz e, acima de tudo, um movimento por mudança.
Os países devem revisar suas políticas e legislações e eliminar aquelas que discriminam, criminalizam e prejudicam pessoas que vivem com HIV e aquelas em risco de infecção — incluindo leis que criminalizam o trabalho sexual, o uso de drogas, relações entre pessoas do mesmo sexo e a não divulgação do status sorológico — e que impedem o acesso aos serviços de saúde.
Em 1 de março de 2026, o UNAIDS conclama governos, profissionais de saúde, organizações empregadoras, e comunidades a ouvirem as vozes das pessoas que vivem com e são afetadas pelo HIV e a agir com base em evidências, para que ninguém se sinta diminuído por causa de seu status sorológico; e para que os sistemas de saúde se tornem espaços onde as pessoas possam buscar testagem, tratamento e cuidado sem discriminação.
No Dia Zero Discriminação 2026, o UNAIDS convida todas as pessoas a:
Sustentar os avanços: proteger e ampliar o que funciona, garantindo financiamento para [tratamento e prevenção ao] HIV e direitos humanos; institucionalizando práticas livres de estigma nos sistemas de saúde, na educação e nos locais de trabalho; reformando e revogando leis e políticas discriminatórias; e defendendo a liderança comunitária, as proteções legais e os avanços do conceito de I=I já conquistados.
Estar ao lado das comunidades: apoiar, financiar e estabelecer parcerias com organizações lideradas pela comunidade que conduzem ações de advocacy e oferecem serviços confiáveis e livres de estigma.
Compartilhar os fatos: usar redes sociais, ambientes de trabalho e escolas para difundir a mensagem de que o HIV é um assunto de saúde, não moral, e que pessoas vivendo com HIV podem ter vidas longas, saudáveis e dignas.
Clique na imagem abaixo e veja as imagens da campanha Zero Discriminação 2026.
