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	<title>Ruan Guajajara - UNAIDS Brasil</title>
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	<description>Website institucional do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil.</description>
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		<title>Entrevista: Identidade, saúde e cultura são temas de reflexão no Dia dos Povos Indígenas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 15:02:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 19 de abril de 1943, foi estabelecido, no Brasil, o Dia do Índio. A data foi criada seguindo algumas das medidas propostas aos países participantes do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em abril de 1940. O objetivo das medidas era ressaltar a importância de assegurar o respeito aos direitos dos povos indígenas, <a class="read-more" href="https://unaids.org.br/2024/04/dia-dos-povos-indigenas-unaids-entrevista-juan-guajajara/">Read More</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Em 19 de abril de 1943, foi estabelecido, no Brasil, o Dia do Índio. A data foi criada seguindo algumas das medidas propostas aos países participantes do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em abril de 1940. O objetivo das medidas era ressaltar a importância de assegurar o respeito aos direitos dos povos indígenas em todo o continente americano. Em 2022, a data foi renomeada para Dia dos Povos Indígenas.</p>



<span id="more-27657"></span>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança se deu a fim de refletir e abarcar a diversidade dos povos originários que habitavam as terras que viriam a formar o Brasil. No entanto, mesmo após 81 anos desde a criação da data, os direitos dos povos indígenas continuam diariamente sendo desrespeitados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para abordar essa questão e outras relacionadas, o UNAIDS conversou com Ruan Guajajara, um jovem indígena do povo Guajajara (Tentehar). Ruan é formado em Geografia pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado em Geografia da Saúde, e pesquisa a dinâmica do HIV/AIDS no Distrito Federal. Ele é, também, artista, professor, educador e agente de cultura.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Nesta conversa, Ruan Guajajara discute os desafios enfrentados pelos povos indígenas no Brasil atualmente, o papel da cultura no fortalecimento da identidade, o impacto do HIV/AIDS e outras IST no aumento da vulnerabilidade e como abordar temas como prevenção combinada do HIV, diagnóstico e tratamento com antirretrovirais respeitando a cosmovisão das comunidades indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UNAIDS Brasil: O que te move como pessoa e membro do povo guajajara?</strong><br><strong>Ruan Guajajara:</strong> O que me move enquanto pessoa e enquanto guajajara é a luta pela vida de nós, povos indígenas, pela defesa e autonomia dos nossos territórios, pela saúde plena das nossas famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estando em Brasília e pertencendo ao território Morro Branco (Maranhão), assim como tantos outros indígenas na capital, desempenhamos coletivamente um papel fundamental na articulação dos nossos territórios com as instituições, organizações e parceiros, atuando como ponte da base, que é a nossa comunidade, com os demais movimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB:</strong> <strong>Neste sentido, o que é ser, e se reconhecer, como indígena no Brasil hoje?</strong><br><strong>RG:</strong> É exercer sua ancestralidade em qualquer espaço que você esteja. É ser uma ponte de acesso e facilitação para quem está em mais vulnerabilidade em nossas comunidades. É atuar ativamente pela vida e pela manutenção da forma de se viver e enxergar o mundo, a cosmovisão da nação Tentehar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é também o enfrentamento diário de políticas e acordos que negociam a terra, a água, a floresta, os rios, as nossas vidas… logo estas, que não são e nunca serão mercadoria para nós, porque são parte de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB: Quais são os principais desafios enfrentados pelos povos indígenas no Brasil?</strong><br><strong>RG:</strong> Hoje, a mãe de todas as lutas é a demarcação das terras indígenas do Brasil. Não somente a delimitação em si do território, mas a garantia regional de que essas comunidades possam exercer seu modo de vida. A água, os rios, a terra, a floresta, são conectadas em rede a nós, povos indígenas, nosso corpo-território, parte indissociável de quem somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a existência dos povos ainda não está assegurada porque precisamos de um grande movimento nacional de demarcações e defesa dos territórios. Precisamos também de estratégias de enfrentamento às ferramentas que causam destruição e contaminação da terra, provocando eventos climáticos extremos, como os que vemos todos os dias, as secas, incêndios e cheias, aprofundadas pelo atual contexto de mudanças climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após mais de 500 anos de colonização, somente agora tivemos, no Brasil, a criação histórica de um <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.gov.br/povosindigenas/pt-br" target="_blank" rel="noopener" title="">Ministério dos Povos Indígenas</a></span>. É necessário mais tempo e políticas públicas que articulem diversos eixos, como saúde indígena, bioeconomia, demarcação das terras e outras, para resolver a dívida histórica que a atual sociedade brasileira tem para com os povos originários deste país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB: Qual é o papel da cultura para impactar positivamente a percepção pública sobre a questão indígena?<br>RG:</strong> A cultura é a continuidade da existência dos povos. É a manutenção da nossa identidade, é a forma de ver o mundo, as rezas, as festas, as ritualísticas da menina moça, do rapaz e do mel. É a língua falada e escrita, com suas diferenças em cada território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o papel da cultura é exercer em si mesmo a ancestralidade do povo, para além do que é visto ou presenciado. É a vida em sua plenitude. E só poderemos sensibilizar o público, ou os demais grupos sociais do país, se eles estiverem abertos a pensar de uma forma diferente, virar a chave, ver a terra e a água como irmãos, e não como mercadoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mística dos povos indígenas envolve e sensibiliza, basta estar junto e presenciar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB: Alguns estudos indicam uma forte prevalência de HIV e outras IST nas comunidades indígenas. Por que você acredita que isto ocorre?<br>RG:</strong> Desde 2015, no boletim epidemiológico de HIV/AIDS do país, nós, povos indígenas, apresentamos uma média de mais de 100 parentes infectados por HIV todos os anos. Os dados mostram, entre 2007 e 2023, um total de <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2023/hiv-aids/boletim-epidemiologico-hiv-e-aids-2023.pdf/view" target="_blank" rel="noopener" title="">1.787 parentes infectados</a></span>, com os homens mais vulneráveis no processo de infecção.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Em relação às nossas grávidas, os dados revelam muito mais, uma vez que se houvesse pré-natal eficiente e demais ferramentas de atendimento às mães, de forma plena, a infecção não ocorreria. No entanto, entre os anos de 2000 a 2023 houve um número de 545 mães infectadas por HIV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão da disparidade, ausência ou deficiência dos dados sobre HIV e AIDS nas comunidades indígenas dialoga com a necessidade de termos uma saúde específica, voltada para os indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso que, dentro do subsistema de saúde indígena do Brasil, os profissionais e trabalhadores que atuam no setor estejam preparados e qualificados para a obtenção desses dados, para o preenchimento correto das informações e tenham o tato na ação de acolher o parente que precisa da prevenção e do tratamento às IST.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB: O que precisa ser feito sobre esta situação?<br>RG:</strong> Uma das possíveis respostas a essa vulnerabilidade apresentada pelos povos indígenas dialoga com a dinâmica espacial das doenças, que afeta populações prioritários e chave para o HIV, incluindo os povos indígenas, as juventudes e as pessoas LGBTQIA+.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os parentes que se encontram em um contexto de grande mobilidade urbana, de saída e entrada no território, proximidade a centros, cidades e garimpos, bem como a juventude indígena e os jovens que saem dos seus territórios para estudar na cidade, pertencem aos grupos mais vulneráveis para entrarem em contato com as mais diversas infecções sexualmente transmissíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se fala em uma estratégia de prevenção, disgnóstico e tratamento, entendo que é necessário fazer um amplo momento de diálogo nos territórios e nas comunidades urbanas. Precisamos alcançar as lideranças, homens e mulheres, jovens e anciões, envolvendo todos da comunidade em uma conversa que é necessária para a manutenção da vida e da saúde dos povos indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso falar sobre, mas considerando as especificidades de cada povo e território, realizando um diálogo potente e parceiro das comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>UB: Como reconhecer e garantir o respeito à cosmovisão dos povos indígenas ao se trabalhar temas como prevenção combinada do HIV, diagnóstico e tratamento com antirretrovirais?<br>RG:</strong> Acredito que o primeiro passo é estar em diálogo com as lideranças e pessoas centrais das comunidades, a partir de uma demanda do próprio território. Uma coisa que a ancestralidade pode ensinar é o respeito às tradições e aos mais velhos. Temos, portanto, de trabalhar juntos. Existem muitos temas sensíveis aos povos e devemos atuar com isto, caminhando junto, mas construindo pontes para diálogos que precisam ser feitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, é preciso momentos de intercâmbio em saúde, troca de experiência entre povos que enfrentam a pandemia de HIV/AIDS e demais IST, familiarizando nossas comunidades com o assunto. São necessários, também, amplos processos formativos nacionais e regionais para as comunidades, nos territórios que demonstrarem maiores vulnerabilidades e abertura à temática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo processo formativo que envolve nossos povos precisa ser feito com respeito e com uma sabedoria estratégica, caminhando e construindo coletivamente o que precisa ser feito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para conhecer um pouco mais das ações desenvolvida pelo <em><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://unaids.org.br/copatrocinadores/" target="_blank" rel="noopener" title="">joint team</a></span></em> do UNAIDS em parceria com populações indígenas, visite <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.unesco.org/pt/articles/educacao-em-saude-e-bem-estar-para-populacoes-indigenas-do-brasil" target="_blank" rel="noopener" title="">UNESCO</a></span>, <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.ilo.org/brasilia/publicacoes/WCMS_893743/lang--pt/index.htm" target="_blank" rel="noopener" title="">OIT</a></span> e <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.awure.com.br/" target="_blank" rel="noopener" title="">Projeto Àwúre</a></span>, uma iniciativa realizada conjuntamente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), OIT e UNICEF, com apoio do UNAIDS.</p>
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