Especialistas debatem impactos do estigma e da discriminação na resposta ao HIV

O estigma e a discriminação são deafios que – mesmo após 30 anos de resposta à epidemia de AIDS – ainda precisam ser vencidos se quisermos chegar a uma resposta efetiva ao HIV e acabar com os níveis epidêmicos da AIDS até 2030. Esta foi uma das principais conclusões do painel de especialistas sobre o tema, realizado durante o 10º Congresso de HIV/AIDS, que acontece em João Pessoa (PB).

Maria Clara Giana, Diretora do Centro de Referência e Treinamento de DST/AIDS da cidade de São Paulo, falou sobre os avanços no combate à homolesbotransfobia em São Paulo – entre eles a aprovação do uso do nome social no sistema público de saúde – e sobre como estas ações abrem o caminho para o alcance das metas de 90-90-90 de tratamento. “Para alcançarmos as metas 90-90-90, é importante implementarmos estratégias de promoção de direitos e respostas intersetoriais aos mais vulneráveis”, disse Maria Clara.

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Diretora do UNAIDS, Georgiana Braga-Orillard (primeira à esq.) e os demais palestrantes do debate sobre estigma e discriminação. Foto: Jessyca Zaniboni/UNAIDS Brasil

As metas de tratamento 90-90-90, que fazem parte da nova estratégia do UNAIDS para o período de 2016-2021, prevêem que, até 2020: 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; 90% destas pessoas estejam em tratamento; e que 90% delas tenham a carga viral indetectável.

Outra debatedora neste encontro foi Rafaelly Weist, Presidente do Transgrupo Marcela Prado e uma das participantes do Curso de #JovensLideranças, feito em parceria pelo UNAIDS, UNICEF, UNESCO e o Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério da Saúde. Em sua apresentação, Rafaelly falou sobre a importância de desconstruirmos nossos preconceitos, começando por mudar o nosso entendimento e uso de palavras e expressões que, segundo ela, precisam ser ressignificadas.

“Precisamos urgentemente criminalizar a homofobia, a lesbofobia e a transfobia. Precisamos que nossos representantes no Legislativo atuem pelo povo, cientes de que fazem parte de um Estado laico, como defensores dos direitos humanos para todas as pessoas, inclusive a população LGBT”, disse durante sua apresentação sobre Estigma e Discriminação Relacionados ao HIV e à população LGBT.

Mais de 2 mil participantes do Brasil e de outros 16 países acompanham os debates do 10o Congresso Brasileiro de HIV/AIDS, em João Pessoa. Foto: Ricardo Salem/Força Tarefa Jovem

A Diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, falou sobre a necessidade da construção de um índice capaz de medir a percepção de estigma e discriminação no Brasil, a exemplo do que já existe para muitos países na América Latina. “Precisamos começar a mensurar, de alguma forma, os atos relacionados ao estigma e à discriminação em relação ao HIV”, disse Georgiana. “O Índice de Estigma sobre HIV/AIDS é um instrumento importante para a construção de políticas públicas nesta área, já que nos mostra muitos dos principais obstáculos a superar e nos indica também os caminhos possíveis para isso.”

Também participou da mesa Lis Pasini, da Coordenação de Prevenção e Articulação Social do DDAHV, que falou sobre o esforço do governo brasileiro para responder à epidemia de AIDS junto às populações-chave, como profissionais do sexo, pessoas trans e travestis, e homens que fazem sexo com homens (HSH), combatendo os obstáculos impostos pelo estigma e pela discriminação em relação ao HIV.