Jovens Lideranças Zero Discriminação lançam documentário para celebrar Dia da Visibilidade Trans


Em celebração ao Dia da Visibilidade Trans, comemorado todo 29 de janeiro, o grupo de ativistas Força-Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação lança essa semana o minidocumentário Transvisão. Entre 30/1 a 2/2, sempre ao meio-dia, um episódio do minidocumentário será lançado no canal Prosa Positiva – do Youtube – e na página do grupo no Facebook.

Com projeto gráfico de Ricardo Veríssimo e direção e montagem de Daniel Fernandes – dois ativistas do Força-Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação -, o filme tem o objetivo de contribuir para a visibilidade de travestis e transexuais e promover um debate sobre os mais diversos preconceitos existentes até hoje e sobre a importância do respeito.

“O Transvisão quer aproximar a sociedade da causa trans através da informação, mostrando de forma humana suas dificuldades e vivências. Para isso, os episódios que formam o minidocumentário contam com a participação de quatro pessoas de diferentes regiões do país, dois homens e duas mulheres trans”, explica Fernandes, youtuber responsável pelo canal Prosa Positiva. “Eles, em depoimentos, falam um pouco sobre suas vidas, desde a percepção e necessidade de assumir a identidade até o enfrentamento dessa realidade com a família e a sociedade.”

O minidoc trás depoimentos de quatro pessoas, dois homens trans – Brenda (que prefere usar o nome dado por sua mãe) e Ramsés, ambos de Goiânia – e duas mulheres trans – Isabella, de Belém (PA), e Lucrécia, de Wanderlândia (TO). As duas últimas também fazem parte do Força Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação. “O trabalho vem com o objetivo de apresentar a sociedade que ser uma pessoa trans não é nada anormal, são humanos como qualquer um. Melhor forma de chegarmos a ter um conceito por algo é conhecendo-o melhor”, conta Fernandes.

Como eles mesmos se definem em sua página do Facebook, o Força-Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação “é um coletivo de pessoas jovens (ou adultos interessados nas temáticas referentes à juventude) que se reuniu para promover os Direitos Humanos e o Controle Social do SUS no âmbito do HIV e AIDS, enfrentando todas as formas de discriminação que oprimem e vulnerabilizam a juventude brasileira.”  Inspirado na iniciativa Zero Discriminação, lançada mundialmente pelo UNAIDS em 2014, o coletivo tem também como meta contribuir para o fim de atos discriminatórios que impedem o exercício de uma vida plena, digna e produtiva. O Dia Mundial Zero Discriminação é celebrado oficialmente pela ONU todo dia 1o de março e tem como objetivo a mobilização de jovens, comunidades, organizações religiosas e não religiosas e defensores dos direitos humanos, entre outros, para a promoção da inclusão e do respeito a esses direitos inalienáveis.

Como surgiu o Força Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação

“Quando cheguei ao Brasil em 2013 e fui analisar mais profundamente a resposta ao HIV, percebi que tinha pouco envolvimento dos jovens na resposta. E isso realmente foi confirmado seguidamente por várias reuniões e conversas com a sociedade civil. Nós conseguimos, então, um financiamento inicial da União Europeia para formar um grupo de jovens para que identificassem, então, quais seriam suas necessidades para poder se envolver na resposta”, conta Georgiana Braga-Orillard, Diretora do UNAIDS no Brasil. “A partir desse primeiro grupo, que foi um grupo bem informal, surgiu o Força Tarefa, um grupo virtual de jovens, e desse grupo, um grupo maior foi formado quando fizemos uma parceria com o Departamento de IST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e com outras agências da ONU – UNFPA, UNESCO  e UNICEF – para fazer um treinamento dessas pessoas.”

A experiência resultou no Curso de Formação de Jovens Lideranças: Ativismo e Mobilização Social para a Resposta e Controle do HIV/AIDS.
Em suas três edições, 150 jovens – entre mais de 1.000 inscritos – receberam capacitação em áreas como Sistema Único de Saúde (SUS) e o ativismo;  diversidade e direitos humanos; viver e conviver com HIV/AIDS (conceituação, prevenção tratamento, coinfecções, novas tecnologias, interações medicamentosas, acolhimento e aconselhamento);  incidência e atuação em políticas de saúde; e comunicação instrumental; entre outras.

Além dos 150 jovens contemplados pelas três formações conduzidas em parceria por UNAIDS, Ministério da Saúde, UNESCO, UNICEF e UNFPA, outros jovens foram se agregando ao Força Tarefa Zero Discriminação por meio de formações feitas regionalmente, independentes ou com apoio de cidades pelo Brasil, entre eles Alto Solimões (AM), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). “O Força Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação se tornou esse grande grupo virtual que trabalha, troca experiências e fala de política, de juventude, de necessidades e direitos. Essa troca de experiências é muito importante e a gente apoia isso”, conta Georgiana. “Um resultado muito fácil de ver é essa campanha que eles estão lançando agora. Hoje, eles produzem suas próprias campanhas e iniciativas e de forma muito bem feita, com a própria voz, com a própria linguagem e com muito orgulho do que fazem.”

Para a Diretora do UNAIDS, uma resposta de sucesso ao HIV precisa contar com o envolvimento de jovens, principalmente pelo fato de essa população estar entre as mais vulneráveis à epidemia. “A gente precisa não somente do envolvimento de jovens e pessoas vivendo com HIV, mas de jovens de outros movimentos. Eles trazem a perspectiva do jovem, que se agrega à perspectiva da sociedade civil que já vem trabalhando nessa resposta há 30 anos, e representam realmente uma nova força para a resposta ao HIV”, diz Georgiana. “O que é mais interessante é ver que eles são realmente uma força zero discriminação. Eles aprenderam uns com os outros, cada um veio de um movimento diferente e de uma realidade diferente, e eles aprenderam que são mais fortes juntos e que podem ter uma voz conjunta contra a discriminação. Isso acho que é a maior lição do Força Tarefa.”

Hoje o Força-Tarefa Jovens Lideranças Zero Discriminação é um grupo independente de pessoas especializadas em várias áreas e que se juntam para promover a Zero Discriminação nas mais diversas instâncias da sociedade, em especial no acesso à saúde a aos serviços para o HIV e a AIDS. “A estratégia que tivemos para trabalhar com jovens foi sempre essa: de acompanhá-los, durante um período de tempo de dois a três anos,  mas que eles tivessem a independência e que pudessem seguir sua trilha sozinhos”, destaca Georgiana. “E é isso que nós alcançamos hoje com essa campanha de agora, com várias outras campanhas, e também com iniciativas individuais e com jovens que têm integrado movimentos como redes de pessoas vivendo com HIV, redes de pessoas trans, redes de mulheres negras, de pessoas indígenas. Ou seja, eles estão fortalecendo essas redes e esses movimentos e cada um seguindo suas vidas, como ativistas, continuando a levar as mensagens de de zero discriminação, de prevenção, de testagem e de tratamento para o HIV.”