Maximizando o potencial de um novo método de prevenção do HIV: a PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) – quase sempre uma combinação de tenofovir e emtricitabina tomada via oral como um comprimido diário – é extremamente eficaz na prevenção da infecção pelo HIV quando tomada regularmente.

A escolha da PrEP é recomendada para pessoas que são HIV-negativas, mas com alto risco de serem infectadas. As pessoas que podem se beneficiar mais da PrEP estão localizadas onde há altas taxas de HIV e de uso inconsistente de preservativos. Entre essas populações, podemos citar homens gays e homens que têm relações sexuais com outros homens, mulheres trans, profissionais do sexo, casais sorodiferentes – antes de o parceiro vivendo com HIV adquirir carga viral indetectável -, jovens mulheres e meninas nas áreas da África Subsaariana mais afetadas pelo HIV.

As pessoas que iniciam a PrEP devem ser HIV-negativas e devem se submeter rotineiramente a testes de HIV a cada três meses. Os efeitos colaterais da PrEP são geralmente leves e de curta duração. O risco de desenvolver resistência aos medicamentos da PrEP é extremamente baixo, desde que a pessoa seja confirmada HIV-negativa ao iniciar esse tipo de profilaxia.

Nos últimos dois anos, a implantação da PrEP mudou rapidamente. Estima-se que, em outubro de 2016, cerca de 100 mil pessoas estavam usando PrEP em mais de 30 países, com a maioria dos usuários nos Estados Unidos. A meta traçada pelo UNAIDS é de que haja 3 milhões de pessoas usando a PrEP em todo o mundo até 2020.

Existem atualmente programas nacionais ativos da PrEP na Austrália, França, Quênia, Noruega, África do Sul e Estados Unidos. Até novembro de 2016,  Botsuana e Brasil eram exemplos de países que estavam buscando aprovação regulatória interna e criando um plano de implementação, enquanto a Tailândia e o Zimbábue figuravam entre outros países produzindo diretrizes para a implantação da PrEP. Além disso, mais de 20 projetos em todo o mundo estão explorando o uso da Profilaxia Pré-Exposição.

No entanto, mesmo quando existe um programa nacional, a aceitação da PrEP é desigual e as pessoas que mais se beneficiam nem sempre têm acesso. Muitos ativistas na resposta à AIDS continuam criticando essa desigualdade. “A PrEP é poderosa, e tem que atingir os desempoderados”, disse Nöel Gordon, da Human Rights Campaign.

A PrEP complementa o pacote de opções de prevenção comprovadas já disponíveis. A PrEP deve ser utilizada em conjunto com outros métodos de prevenção, tais como preservativos masculinos e femininos, circuncisão masculina voluntária médica e testagem para o HIV e terapia antirretroviral para todas as pessoas vivendo com HIV.

Quando a terapia antirretroviral é eficaz em uma pessoa vivendo com HIV, o vírus torna-se indetectável no sangue dela e o risco de transmissão aproxima-se de zero

Nenhum método isolado de prevenção do HIV oferece 100% de proteção. A PrEP não previne outras infecções sexualmente transmissíveis e tampouco a gravidez indesejada. Os preservativos continuam a ser a ferramenta de prevenção do HIV mais amplamente disponível e acessível e, como tal, devem sempre ser promovidos juntamente com a PrEP.

Os benefícios da escolha da PrEP podem ser tanto psicológicos como físicos e o uso da PrEP pode conter  a ansiedade e o isolamento sentidos por algumas pessoas que sentem que não têm a capacidade de controlar o risco de exposição ao HIV. A PrEP pode dar às pessoas mais autonomia em suas decisões sexuais, o que também pode incluir a redução de risco. A PrEP pode promover uma melhor comunicação e intimidade com o parceiro, reduzir o medo da violência do parceiro íntimo, aumentar a auto-estima e melhorar o envolvimento com todos os aspectos da saúde sexual.

A oferta da PrEP pode encorajar mais pessoas em maior risco de infecção pelo HIV a frequentar clínicas especializadas, serem submetidas a testes de HIV e acessar a PrEP ou tratamento dependendo do resultado do teste. De qualquer maneira, o resultado é bom para o indivíduo e bom para a prevenção do HIV.

A PrEP nos dá mais uma ferramenta que podemos usar para adaptar melhor o pacote de prevenção às necessidades individuais de cada pessoa, que podem mudar ao longo do tempo. A PrEP não é para todas as pessoas e não é para sempre. O acompanhamento rotineiro da PrEP envolve a revisão regular da saúde sexual mais ampla, incluindo o diagnóstico e o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e a discussão de estratégias de prevenção e contracepção apropriadas.