Com o apoio da ONU, Globo lança plataforma de mobilização social pelos direitos humanos

Racismo. Violência. Assédio. Homofobia. Machismo. Em tempos como esse, é preciso mobilizar a sociedade para o fortalecimento de uma cultura que não apenas tolere, mas respeite direitos. Em parceria com a ONU Mulheres, UNESCO, UNICEF e UNAIDS, a Globo lança a plataforma ‘Tudo começa pelo Respeito’, um esforço para ampliar a discussão sobre os direitos de mulheres, idosos, LGBTs, negros e negras, deficientes, religiosos, soropositivos e públicos vulneráveis à discriminação e ao preconceito. Por meio da união de esforços e de iniciativas conjugadas com organizações de referência no campo da defesa de direitos, a Globo quer sensibilizar a sociedade sobre a importância da tolerância e do respeito para o bem comum. A ideia é ganhar espaço nas conversas em casa, no trabalho, na hora do lazer, em todos os momentos e lugares em que haja espaço para a reflexão. E, principalmente, incentivar o primeiro passo para uma mudança de atitude.

O lançamento da plataforma foi marcado pela veiculação do filme ‘Fio’, veiculado desde 28 de julho, na tela e nas redes sociais da Globo. O filme traz o contraponto entre as piores manifestações do preconceito, da discriminação, e a melhor forma para combatê-las. Palavras como ‘assédio’, ‘violência’, ‘racismo’ e ‘homofobia’ são formadas a partir do torcer e distorcer de um fio gráfico, como uma corda – as torções dão a ideia do quão devastadoras podem ser essas atitudes. Enquanto as expressões são exibidas na tela, a locução reforça que, para dar fim à violência contra a mulher, contra negros e contra a diversidade sexual, é preciso lembrar que tudo começa pelo respeito.

Na segunda fase do projeto, a voz de organizações da sociedade civil que atuam na defesa de direitos tomará as telas da Globo. A emissora cederá espaço para a veiculação de filmes em parceria ou produzidos por terceiros. Entre as instituições que estarão ao lado da Globo estão Anistia Internacional, Centro de Articulação para Populações Marginalizadas (CEAP), Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), Central Única das Favelas (CUFA), Grupo Dignidade, Instituto Velho Amigo, MetaSocial, Movimento Down, Instituto Sou da Paz e Viva Rio.

“Dentre outros tantos, o papel de uma televisão aberta é utilizar seu alcance para estimular mudanças positivas de comportamento. Fazemos isto em novelas, no jornalismo, nos programas de entretenimento e na cessão de mídia de intervalos comerciais. O recrudescimento e sucessão de episódios de intolerância na nossa sociedade nos levaram a reunir todas estas frentes numa única plataforma dedicada ao fortalecimento da luta de organizações brasileiras que historicamente atuam na defesa de direitos”, analisa Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo. “Agora, com o lançamento da ‘Tudo começa pelo Respeito’, estamos unindo forças com organizações de referência da sociedade civil para avançar nesse objetivo e incentivar uma verdadeira mudança de atitude”, define.

“Usando a imagem de um fio que desfaz um novelo, o filme nos mostra que o respeito é o fio inicial para chegarmos à #ZeroDiscriminação. Sem respeito, teremos violência, que afeta os mais vulneráveis”, afirma Georgiana Braga-Orillard, Diretora do UNAIDS Brasil. “A campanha demonstra que cada um de nós pode desfazer esse novelo – em casa, na escola, na comunidade, no trabalho e também nas áreas de atuação e influência política. Tudo começa pelo respeito.” 

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, desigualdades estruturais precisam ser enfrentadas e contar com o apoio constante dos meios de comunicação, para conscientizar a sociedade, informá-la com qualidade e engajar novos públicos na busca por soluções. “O respeito começa com a garantia de direitos de equidade real entre as pessoas, com a sua representação social e midiática constante e em pé de igualdade. O racismo e o sexismo têm imposto condições de vida cruéis para as mulheres negras, como mais exposição a múltiplas formas de violência de gênero e racial e efeitos na educação, saúde, trabalho em suas vidas, de suas famílias e de suas comunidades. Mulheres indígenas são vistas como menos importantes e poucas pessoas se mobilizam na defesa dos seus direitos e de seus povos. Lesbofobia e homofobia revelam outra face da violência que ameaça a existência das pessoas como elas são na diversidade”, considera Nadine Gasman.

Ela destaca, ainda, a importância de os meios de comunicação fazerem produtos com base na realidade da sociedade. “A criação fica muito mais potente e inovadora se realmente partir da pluralidade do material humano que o Brasil tem e enfrentar as desigualdades seculares que têm efeito nas vidas destas e das futuras gerações. Esse é um ciclo perverso que precisa ser rompido. E os meios de comunicação têm grande contribuição a dar de maneira contínua e cumulativa”, afirma Nadine Gasman.

Envolvimento histórico 

A plataforma reforça um movimento que a Globo sempre encampou em sua história: o de estimular a empatia pelo outro e o resgate do respeito ao próximo, independente das diferenças físicas ou de escolhas de vida, por discussões sobre respeito e tolerância. Como vem fazendo a novela ‘Liberdade, Liberdade’. A história se passa entre 1792 e 1808, mas não poderia ser mais atemporal. Trata de um caso de amizade e amor entre dois homens, como também a história de uma esposa subjugada e agredida pelo marido durante anos. A trama traz a posição das mulheres dentro da sociedade de um Brasil colonial, consideradas inferiores e subservientes aos homens. Também como milhares de pessoas trocadas como objetos, tratadas com descaso pela sociedade que só os vê como escravos. Somados às crianças dispersas pelas ruas sem acesso a escola, a comida, sem teto. Todos defendidos na luta de Joaquina (Andreia Horta) por igualdade entre todos: sejam homens, mulheres, fidalgos ou escravos, idosos ou crianças, ou pessoas de diferentes classes econômicas.

As cenas entre André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) repercutem entre os brasileiros levantando questões sobre homofobia, intolerância e, principalmente, respeito – ou a falta dele. “A história de André e Tolentino é de amor, de um amor de verdade, que vai muito além do gênero ou do sexo. Discutir esse tema é sim uma quebra de tabu, mas já o fizemos outras vezes. O mais importante agora é o reforço que isso está acontecendo tardiamente. Afinal, temos presenciado inúmeros crimes de homofobia. Já passou da hora de entendermos que as pessoas só serão felizes quando respeitarem o outro, que o respeito é fundamental”, conclui Mario Teixeira, autor de ‘Liberdade, Liberdade’.

A obra se une a tantas outras que já levantaram questões importantes para a sociedade. Novelas como ‘Irmãos Coragem’ (1970), ‘Dancin’Days’ (1978), ‘Malu Mulher’ (1979) e, mais recentemente, ‘Lado a Lado’ (2012) e ‘Joia Rara’ (2013), destacaram a força e autonomia das mulheres, enquanto ‘A Favorita’ (2008), ‘Fina Estampa’ (2011) e ‘A Regra do Jogo’ trouxeram para o centro da discussão a violência contra a mulher. As tramas de ‘Pecado Capital’ (1975), ‘A Próxima Vitíma’ (1995), ‘Babilônia’ (2015) e ‘I love Paraisópolis’ fomentaram debates sobre o preconceito étnico e a igualdade de oportunidades entre brancos e negros. Já a discriminação relacionada à orientação sexual foi discutida em histórias marcantes como as de ‘Roda de Fogo’ (1986), ‘Senhora do Destino’ (2014) e ‘Amor à Vida’.

Com a certeza de que ‘Tudo começa pelo respeito’, a Globo oferece seu potencial de mobilização à luta por um país com mais tolerância e respeito às diferenças.